Artiguim na Bolha, sobre as fundações de “apoio” ligadas às universidades públicas. Como diria o grande filósofo Ney Matogrosso, se correr, o bicho pega, se ficar, o bicho come. Taí outro bom lema para o lábaro que ostentamos…
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Olhe, vocês desculpem o mau humor extremo, mas tá feia a coisa, viu? Enquanto o Copom aumenta os juros, o PT blinda a Dilma e nega/afirma uma mudança constitucional pró-terceiro mandato, eu, que tenho a necessidade de enxergar a luz no fim do túnel para achar que vale a pena viver, estou cegueta, cegueta, hoje…
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Nosso dileto bacharelado vai ser destruído. Por quê? Excelente questão. Burrice, mesquinharia, ganância, incompetência. Por que oferecer um curso de tantas horas, se o MEC só “exige” duas mil e tantas? Por que gastar mais, se podemos gastar menos? Por que oferecer educação de qualidade (?) se podemos ganhar mais? Houve um tempo em que a fiRma quis ser um “centro de excelência”, uma nova PUC, uma nova Faap. Pois bem, esse tempo passou.
Desde que eu entrei ali, desconfiei que o negócio não ia longe. Neste país, nós temos o pior dos dois mundos e esses colegiões privados que se auto-intitulam Unis são o emblema máximo de tudo o que deu errado na História. São o pior do capitalismo sem reter o mais vago resquício daquilo que a civilização construiu. Em cada pedra daquele lugar há um índice de seus valores: é um shopping center lustroso, onde os dvds da biblioteca têm dispositivos anti-furto colados ao disco. O estacionamento é pago, inclusive para professores. Não há plano de carreira e professores com doutorado ganham menos do que professores que sequer têm especialização (porque estes últimos foram contratados na época das vacas goradas ou simplesmente são protegidos pelas otoridade).
Nosso curso já perdeu professores doutores, como o meu Mega Orientator, entre outros, simplesmente porque foram tratados de maneira tão desrespeitosa por aspones ignorantes da fiRma, que simplesmente disseram, “sabe do que mais? Deixa pra lá, eu me demito.” Está prestes a perder mais professores. Eu, diante das mudanças, ficarei única e exclusivamente por questões financeiras, mas certamente serei levada à demissão mais cedo ou mais tarde (ou quem sabe demitida “por justa causa”. Ontem, quando estava em aula, vi uma funcionária olhar pela porta por algum tempo, em busca de algo ou alguém. Espiei para ver o que ela queria e tal hora me levantei e lancei um olhar de “pois não?” Ela foi embora. Como já fomos informados de que estamos sendo vigiados por pau-mandados do gerentão, que está doido para “provar” que nosso curso é uma esculhambação, fica difícil não achar que tenha sido o caso. Olha, eu quase desejo que um vermezinho desses venha me confrontar… Eu masoquistamente sonho com o momento em que chegue à coordenação a delação de que minha sala estava uma bagunça, de que eu não estava lá ou algo dessa sorte. Eu perderei noites de sono maquinando respostas tão irônicas que eles vão precisar de algumas gerações para compreendê-las).
Agora me digam: é para isso que a gente faz doutorado??? Para ser espionado por funcionariozinhos??? Para ter que perder tempo preenchendo um software de chamada que, se tivesse sido feito para ser o pior do mundo, ainda não seria tão ruim? E isso tudo para ganhar trinta e pouquinhos reais por hora, BRUTOS???
Não se preocupem: diante dessa tsunami de mediocridade, minha vontade de excelência só quadruplica. É preciso me diferenciar cada vez mais dessa burrice que nos circunda. Estou muito angustiada com tudo, mas me saber fora dessa imbecilidade crônica me salva do suicídio. Dias melhores virão.
Mas, enfim, whatever… deixa pra lá.
Abril 18, 2008 às 4:13 pm |
pois é, gata, tenho agora a nítida sensação que de estamos na mesma fiRma, mas em lados diferentes. eu to do lado dos alunos, indignados, frustrados e pobres, com um curso medíocre e com cada vez menos horas e menos professores interessados. tem solução não, quero descer desse trem já.
Abril 18, 2008 às 6:02 pm |
ah, capanheira… o fim está próximo… eu acho que tem que parar o país e começar de novo. mas um povo que não consegue se organizar para pedir bis em show de rock vai lá fazer panelaço para nada…
que tal a gente fazer uma comunidade no litoral do ceará???