Agüenta, coração

By dr. strangelove

Um dia que começa com vizinhos farofeiros jogando truco e recebendo objetos não-identificados na cabeça — merecidamente, aliás, mas não da gente — pode muito bem terminar com um bom amigo da Cobra (aliás, o sujeito que fez a Cobra, no sentido “puppet” da coisa) com um piripaque coronariano. Agora já estabilizado e tudo mais, mas a gente assusta, né, tio???

A vida é uma coisinha tão frágil, não?…

Mas voltando aos farofeiros, acho que a gente atrai. Os caras tão jogando truco à meia-noite e, diante das reclamações dos vizinhos, em vez de diminuir o tom, gritam mais, mandam se foder etc. Esse é o Povo Brasileiro. Lá pras tantas, um vizinho emputecido jogou algo, não sei o quê. O que é que os animais gritam? “Joga mais! Joga a Isabela!” E riem…

Eu abri a janela para tentar ver o que acontecia e recebi uma pá de xingamentos: “tá olhando o quê, Cuzão?!?” (“cuzão” é um xingamento de gente muito sem cultura, mesmo, não?). Balancei a cabeça, mas, diante de mais xingamentos, apenas mandei, na minha voz mais grave: “ê… farofeiro é uma desgraça, mesmo, hein?!?” Fechei a janela e tentei pensar noutro assunto.

Cara, na boa: vamos riscar do dicionário o verbete “delicadeza”, porque já era. Cabô. No mundo, sobraram tranqueiras e o resto são meus 132 amigos. Mêda.

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