Voltei. Tenho a necessidade de me reinventar – yet again – e isso só se faz pelo verbo. Reinventar-se é auto-fabular um novo eu. Por ações também, mas, sobretudo, pelo verbo. Escrito, oral, tudoaomesmotempo. Uma nova dobra, que, afinal, vinha se impondo sozinha, quase imperceptível, vinha vincando a serenidade do cotidiano há meses, anos, talvez.
(Esta porra desta vida tem roteiristas muito loucos…)
Olho para dentro de mim, enquanto lentamente transformo em estranhas coisas que eram o próprio tecido da vida, por tanto tempo. Trabalhar ativamente para concretizar uma perda talvez seja uma das ações mais loucas que se pode viver – if you’re lucky, if you’re wise enough. E talvez as perdas sejam as únicas tragédias da vida. A morte de alguém – como a de um pai – é um acontecimento avassalador, que divide a vida em duas, em um antes e um depois e poucas coisas se comparam a isso. Por outro lado, o fim de uma relação tem dores muito particulares – é a perda de alguém que continua realmente existindo, só não mais pra você, só não mais como ‘sempre’ existiu. As duas arrancam pedaços gigantescos e embora não sejam comparáveis, de modo geral, embora seja sensato esperar que em alguns dias, semanas, meses, anos, todos se recuperem do fim de suas relações, esse fim também cinde a vida em duas, mesmo que de maneira menos avassaladora (não, não há dor no mundo que se compare à perda do meu pai).
Eu já vivi – e este blog testemunhou – alguns fins, algumas perdas, mas não canso de me surpreender com o fato de que cada uma delas é única, nova. Em parte, é o déja vu que nos choca, mas é tudo (re)conhecido e novo. Este adensamento dos dias, das horas, este pesar em se arrastar pelas ações mundanas, olhando para dentro, para si, a cada gesto mais banal. É exaustivo, mas talvez seja essa capacidade de auto-reflexão o que nos torna melhores — eu tenho pavor de gente que não reflete, nem sobre si, nem sobre os outros, nem sobre nada (se é que isso é possível – em algum nível, acho que até meu cachorro reflete sobre si e o mundo…)
Resta voltar a este blog e fazer dele o que ele pode ser: um registro de um dia após o outro.
abril 14, 2011 às 6:31 pm |
putz.
mas fiquei feliz em te ler de novo.
abril 28, 2011 às 2:23 pm |
nem vou mentir… tava com saudade de te ler aqui. Esses dias passei em frente ao #300 do Residencial Iracema (aka Melrose Place) e não pude impedir as recordações de uma certa festa de Natal… Borges diz que “Sólo una cosa ha. Es el olvido” mas acho que as coisas e as pessoas ficam para sempre na gente, de alguma maneira a gente sempre lembra.
junho 24, 2011 às 10:54 pm |
Aquela festa e aquele post foram mesmo memoráveis