Archive for março \31\UTC 2008

Bourbon and the streets

março 31, 2008

Nova incursão ao shopping Bourbon, desta vez, às 19h de um domingo. Como diria o grande filósofo Sebastião Belmino:

ô povo feio!!!

O West Plaza devia estar às moscas, porque todos os mano da Zona Noroeste de SP estavam zuando nos corredores do Bourbon (ok, ok, deixa eu limpar meu veneninho “elite branca”, hahahaha!) Bom, pelo menos nos 15 minutos que a gente agüentou lá dentro e entendam que quem quis ir passear foi a Cobra, eu bem que avisei que o negócio estaria impraticável. Mas o que eu não faço por um passeio antropológico!…

Nosso comentário enquanto caminhávamos na noite fresquinha, de volta do shopping: ‘você quer trocar um shopping gigantesco, sem habite-se e que vai phoder de vez o trânsito da Pompéia por quatro ou cinco centrinhos comerciais a céu aberto, sendo que a Livraria Cultura, o Arteplex e a Starbucks estão todos no mesmo lugar???’ SIIIIIMMMMM!!!

É isso: meu sonho era dar copy-e-paste nesses três estabelecimentos, dali do shopping para, quem sabe, alguma rua mal-aproveitada da Lapa, ou, melhor ainda, perto do Metrô (ok, aí ia ficar non-walking-distance, mas a gente pensa no Bem Maior).

Seria hipócrita dizer que não acho bom um shopping perto de casa, mas acho que nunca mais me arrisco a passar de carro pela Turiaçu depois das 10h. E que esculhambação é essa, um shopping gigantesco abrir sem habite-se??? É por essas e outras que eu proponho a troca do lema da bandeira para “Precariedade e Gambiarra”, porque “Ordem e Progresso” a gente não tem mais nem sequer poder de abstração suficiente para conseguir imaginar neste país aqui…

De qualquer modo, uma vez ali (e, honestamente, duvido que fechem…), vou fazer o sacrifício de freqüentar, mas só piso lá novamente quando abrirem os cinemas e a Livraria Cultura, porque, em uma palavra: mêda. Mêda daquela horda de bárbaros sem norte. Eu, hein?…

Flamengo até morrer

março 28, 2008



Flamengo até morrer

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Sucesso absoluto. Avisão: NÃO funciona com camisa do Vasco, Fluminense ou Botafogo. Aliás, o Ministério da Saúde (e o da Defesa) advertem: sair na rua com camisa do Vasco pode causar pedradas na cabeça.

Já sair com a do Mengão… é só alegria 😉

Live in Pompéia

março 28, 2008

Não se devo a Deus ou ao Demo terem ouvido meus pedidos, mas um dos dois atendeu: abriu, walking distance de casa, um shoppingzão bem grandão, com tudo o que de melhor o capitalismo tupiniquim/globalizado produziu até hoje (e, claro, o pior também!). Listemos, numa ordem ascendente de maravilha/perigo, apenas os seis mais: VitaDerm, UZ Games, Zara, Starbucks, Livraria Cultura e… Unibanco Arteplex. Visualizar dancinha de felicidade desta que vos bloga.

Corta, cena dois, carta para os proprietários do apartamento: caros amigos M e K, decidi aplicar-lhes o maior dos golpes: não saio deste apartamento nem debaixo de porrada! Só se for para outro que tenha também a walking distance suprimentos infinitos dos meus cremes da cabelo, games, roupas básicas, muffins de blueberry, livros e filmes. Ou não saio, não saio e não saio!!! 😛

(…)

Agora, vamos refletir sobre o seguinte tópico: o que é o primeiro dia de funcionamento de um mega shopping em SP? Minha gente, TODOS os funcionários de TODAS as fiRmas de um raio de 50km foram almoçar ali hoje. E TODOS os alunos de TODOS os colégios de um raio de 10km também. Cheguei esgaladamida ao shopping, vi filas quilométricas para TODOS os restaurantes, pensei um estrondoso “Nããããããã!!!” na minha cabeça, dei meia volta e fui comer no Sesc Pompéia: prato, doce de leite e coca zero por menos $5,10, porque eu sou comerciária, tá, meu bem??? E ainda folheei umas revistinhas ótemas depois. Olhe, o Sesc é a coisa mais parecida com o Primeiro Mundo que eu conheço, viu?…

(Aliás, cena hilária do dia 1: vou com minha bandeja procurar um cantinho pra sentar e acabou almoçando numa mesa repleta de PMs. E de iPod no zuvido, mas doida pra virar pro cara e mandar um: “e aí, sargento, o senhor viu ‘Tropa de Elite’?” Mas fiquei na minha, entre Vanguart e Leonard Cohen, porque hoje eu tô blue…)

De volta ao shopping, resolvi conhecer o HiperMegaMaxiGigantesco Mercado Zaffari. É… é bem grande. Mas, ao contrário dos mercados gigantesquérrimos dos EUA, por exemplo, ali tem um monte de coisa igual às lojinhas do seu Abílio, só que em muito maior quantidade. E não tinha meu vinho preferido. E você anda pra burro para terminar as compras. E tudo está embalado em plástico e depois mais plástico nas sacolinhas. Mas os preços me pareceram um pouco abaixo da média do seu Abílio e os funcionários se desdobravam em simpatia. Se continuar assim…

De resto, dei um rolê bem rápido no shopping, que promete virar minha referência e tirar o Villa Lobos e o Higienópolis da minha vida sensivelmente . O impacto que aquele elefante vai ter no já caótico trânsito do entrocamento Turiaçu, Pompéia, Fco Matarazzo eu nem quero imaginar… Ainda bem que eu vou a pé pra lá 😀

Ah, a cena hilária do dia 2 foi um filhotinho de Slash com algum membro perdido do KLB arrasando no Guitar Hero em frente à UZ Games. Eu mesma só parei por lá — entrei e comprei o box do Resident Evil por um precinho bem simpático — porque fui ver a marmota. O cara tava tendo seu momento de glória…

Último dado do dia: é seguro afirmar que a camisa do mundial de 81 do meu Mengão é mesmo o maior sucesso da história. E como tem flamenguista perdido nesta cidade! Vou usá-la sempre que precisar de um boost na auto-estima (afinal, o segurança negão do shopping sorrindo aquele sorriso de meia-lua e dizendo, “é o meu Mengão!” não é assim tão mau, hohohoho!).

Smarts

março 28, 2008

Que fique dito, em defesa das novas gerações, que não apenas a turma A redimiu a B no que diz respeito à empolgação com que fizeram o exercício, mas também que alguns exemplares da turma B, possivelmente sentindo que eu havia me decepcionado com o ar blazé deles (eu, que sou uma professora gentes fina!), vieram me mostrar algumas coisas bem legais que fizeram. Fiquei feliz 😀

(…)

Eu já falei aqui das minhas quintas insanas, né? Das 8h às 9h40, depois das 15h30 às 18h50, depois das 19h15 às 22h45 (num campus do qual não dá pra voltar nesse intervalo). Benza Deus que ontem, na última aula, tinha palestrante, então eu só precisei prestar atenção (ou, como expliquei depois, viver o melhor dos dois mundos: ser paga para assistir aula!). Mesmo assim, ainda volto pra casa na marginal fazendo oooohm que é pra ver se vou descomprimindo. Sem falar das cordas vocais, que pedem arrego já por volta das 19h.

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Inaugurei ontem esta camisa aqui. Sucesso total! Do cara da kombi — que passou e gritou, “aê, Mengão!!!” — a muitos colegas com mais de 30, só o Clube de Regatas consegue angariar tantas emoções simpáticas em plena cidade de São Paulo. Foda foi tirar a jaqueta e fazer pose pros alunos e ele devolverem aquela cara de paisagem: “hein?” Eu, velha, completo: “ah, é, vocês não eram sequer projeto no campeonato mundial de 81…” E ainda tem que agüentar São Paulino (ô raça!).

Claro que, como comentou um colega, não era necessariamente só a camisa, mas onde ela estava vestida, ho ho ho 😛

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Hóspede no Solar: Monsieur Carneirô, nosso embaixado em Paris, em sua já clássica temporada tupiniquim com Tania Maria. Amigo de Cobra há mais de 20 anos, puuuuusta percussionista e figuraça. Ligado no 220, me faz morrer de rir e é um fofo da fofolândia. Nossa ida ao estrangeiro TEMQUE dar certo este ano!!!

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Meu ciso inventou de doer aos 32 anos, no final da tese. Ô ciso mais sem compreensão!!!

Errata

março 28, 2008

foce.jpg

Na Bolha de hoje. Te juro!

Aí eu li mais embaixo (não sem antes passar algumas horas tendo certeza de que era erro mesmo) e descobri que era uma “sacada” do Kfouri…

… foi preciso muito esforço não morrer de tédio. Ai, ai.

Who let the dog out?

março 27, 2008

Que fique bem claro: estamos muito felizes aqui na nova morada, pagode-free, churrasco-free, molecada-free, etc. Há inúmeras coisas que muito nos alegram e delas falaremos uma bela hora. Mas os vizinhos felasdaputa que trancam seu cachorro e saem, ah, esses nos perseguem…

Tá lá: mais de meia-noite e os grandes felasdagaita saíram de casa, todos, e deixaram uma porra dum cachorrinho, gasguita que só ele, aparentemente trancado na varanda. E o idiota do cachorro late sem parar (ouço daqui do escritório, do outro lado do prédio). E eu já estou tendo que lidar com Diávola!!!

A minha dúvida é: se estão carecas de saber que incomoda o prédio inteiro, se já receberam multa, por que persistem? Mandei um bilhetinho cujo final era assim: “o cachorro tem uma boa desculpa: é idiota. E vocês, também???” Não espero que captem a ironia (?!?)…

Eu fico passada com gente rica e bem nascida que está poucosephodendo para os outros. Os caras moram em dois aptos aqui: compraram dois e transformaram em duplex. Classe média-alta. Gente com acesso à educação e… Feladaputagem aparentemente não tem solução.

(Inteligência e bom senso compensam: o motivo principal porque compramos um pug que eles raramente latem. Tá lá, agora, o amor da nossa vida, que não incomoda seu ninguém. Mas eu já sei o que vou fazer se não calarem esse cachorro: um cd com uma hora de latidos, pra tocar no zuvido deles no meio da madrugada. Pena que o resto do prédio também vai ouvir, mas… assim acordam e fazem alguma coisa! Bando de brasileiro idiota, um povo sem tragédia, sem panelaço! Nem!!!)

Pupilos

março 25, 2008





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Gosto pra caralho das fotos desse ex-aluno. Ele é um carinha assim meio tímido, mas sempre foi muito dedicado e tem provado ter um olhar fino. Espero que continue descobrindo sua própria “voz” (e, como já recomendei, que também faça filmes com ela, não ‘apenas’ fotos).

Diávola et al

março 25, 2008

Ainda reflexiva, tepeêmica, cansada, pouco inspirada para as aulas. Coisas do mundo, minha nega…

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E coisas que me manterão pra sempre criança: biscoito de chocolate (aka “Bono”). Meu momento gordura hidrogenada do dia, quando encontro com Diávola.

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Falando em fases, eu sou mesmo delas. Esta agora é jeans+camiseta. E Crocs. Comprei um par e estou amando. Não é lá o pisante mais charmoso da história, mas é mesmo confortável e prático.

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Não tem jeito: a maior parte das coisas da vida a gente só entende vivendo — nem que esse “vivendo” seja “lendo um livro”, “vendo um filme” ou “ouvindo o disco”. Meus alunos, por exemplo. Propus a eles um exercício que eu teria adorado fazer nos meus tempos de UFC. Batizei de “espaços impossíveis”: criar, a partir da linguagem canônica do cinema, espaços, tempos, eventos impossíveis, como gente que muda de lugar, um percurso que não existe, uma roupa ou objeto de cena que se transforma em outra(o) na montagem. Fizeram com uma falta de empolgação que me deixou entre chateada e confusa: é tão entediante assim simplesmente brincar com imagens?… Não sei, não sei… Sempre parto do princípio de que preciso explicar melhor, exemplificar — há algo sobre a (falta de) inteligência dessa geração que parece funcionar apenas com exemplos — para ver se eles acordam… Sei não, eu não era assim.

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Ah, eu li o artigo sobre o barato lá do sonho+paralisia+presença malévola. Meu, mó louco, viu? A descrição do sonho (que, se eu entendi bem é uma alucinação ‘contaminada’ por qualidade de sono REM) é incrivelmente próxima do que eu “vivo”: “… você não vê, mas sabe que ‘está ali'”; “… é como se estivesse ao lado, mas como estou paralisado, não posso ver…”; “… está no canto do quarto, um pouco fora do meu campo de visão, mas você sabe que está ali…”; “…está me assistindo…”; “provoca terror absoluto”; “… uma presença malévola, sobrenatural ou demoníaca…”. As explicações não me disseram muita coisa. Os caras relacionam a experiência com um vestígio de um atávico instinto de alerta contra predadores, daí porque a sensação de estar sendo vigiado, de uma presença que apenas se sente, mas não se vê etc. O resto é neurociência, quais áreas do cérebro se ativam, etc, etc. O que me fascinou foi descobrir que tantas pessoas totalmente diferentes simulam — através do sonho — um contexto mais ou menos narrativo para uma reação que seria puramente… neuroquímica. Mó louco, como disse…

(…)

Sei lá, sabe? Uma falta de prumo ainda…

Casal Moita

março 23, 2008



Casal Moita

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Ain’t we so cute?…

Of mice and men

março 23, 2008

O que ficou na minha cabeça desta história foi a imagem de um pai, um homem do sertão, levando seu filho à escola num carrinho de mão. Não o lado dantesco da imagem, o lado… belo(?), de um homem supostamente rústico, do sertão de Várzea Alegre, tendo a compreensão de que levar seu filho à escola é importante.

Ai, meu Deus, que país injusto!… O que fazer? O que fazer???…

(…)

Páscoa. Gosto cada vez menos de todos os apelos comerciais deste e de outros feriados. Ovo de chocolate não me atrai nem de longe há muito tempo. A casa dos S&C ganhou um e ele tá lá quase intacto. A sangria desatada por ovos me impacienta e comove. Ando sensível. Vejo avozinhas humildes olhando pra cima nos supermercados, fazendo cálculos para ver o que dá pra comprar pros netinhos, imagino. Talvez por isso também me distancie de tudo — tento selecionar coisas mais importantes com o que me preocupar.

Preguiça de produzir almoço, de Páscoa ou não, e mais preguiça ainda de disputar a tapa uma vaga num restaurante. Aliás, hoje seria um ótimo dia para ir a uma churrascaria…

(…)

Se eu pudesse escolher, estaria agora ou no Caldeirão da Armação ou em Matadeiros…