Archive for abril \20\UTC 2008

Noite de sábado, manhã de domingo

abril 20, 2008

A pessoa consegue, num mesmo fim de semana: furar com a família do cônjuge e não ir a Big Black River; furar com amigos queridos numa noite de jogatina; furar com amigos queridos que queria levá-los a Campos do Jordão, para não furar com o primo e, em seguida, furar com o primo. Eu, sinceramente, acho que fiz por merecer o prêmio Profissionais do Ano, categoria Furo.

Meu único não-furo num acontecimento social, talvez como punição, incluiu muito mais doses de gin+tônica do que eu podia suportar, o que ocasionou, nesta ordem:

– A pessoa furar e não ir ao aniversário do primo;

– A pessoa ler,  no Imagem & Ação, em vez de “Casaco”, “Cacaso” e tentar desenhar esse poeta brasileiro (como é que desenha “Cacaso”, Pesqs???)

– A pessoa acordar no dia seguinte achando que vai morrer. E, se estou viva agora, o que é discutível, é graças ao Plasil. Daí que o tema desses tempos tem sido: “Passarinho que voa com Morcego acorda de cabeça pra baixo”…

Aaaai…

O bairro está parecendo um território em guerra. Fogos e bombas desde ontem. E eu que cogitei ir comprar o presente do meu primo no novo shopping, felizmente lembrei a tempo que não se deve chegar nem perto dali justamente hoje. Palmeirenses e São Paulinos devem estar por todos os lados… Mêda

 

O fim está próximo

abril 19, 2008

O fim está próximo — e eu queria saber desenha em vez de ficar aqui me lamentando por escrito 😛

 

Acordes dissonantes

abril 19, 2008

Em conversa com o P., saí mesmo com a conclusão de que nossa missão possível no meio desta balburdia é (tentar) causar algum ruído. Sabe — e eu digo isso aos meus alunos — a gente tem, por alguns motivos, a ilusão de que o “aprendizado” é um processo linear: eu te explico X, você entende X, depois alguém te pede X e você aplica X. Não é. Nem quando estamos falando de algo “completamente” instrumental, como fritar um ovo. Daí que nossa missão, se nada mais, como professores, só pode mesmo ser tentar prover um universo de informações que tenham a potência de se compôr com O Outro, de modo a causar ruído nessas certezas pequeninas de que o mundo parece imbuído. 

Hoje, na missão de gerar ruído, artigo de José Gregori, na Bolha, sobre o circo midiático em torno do “caso Isabela Nardoni”. Bom ruído para nos fazer pensar (e pensar é um ato criativo!).

 

Da série “O Fim está próximo”

abril 18, 2008

Artiguim na Bolha, sobre as fundações de “apoio” ligadas às universidades públicas. Como diria o grande filósofo Ney Matogrosso, se correr, o bicho pega, se ficar, o bicho come. Taí outro bom lema para o lábaro que ostentamos…

Olhe, vocês desculpem o mau humor extremo, mas tá feia a coisa, viu? Enquanto o Copom aumenta os juros, o PT blinda a Dilma e nega/afirma uma mudança constitucional pró-terceiro mandato, eu, que tenho a necessidade de enxergar a luz no fim do túnel para achar que vale a pena viver, estou cegueta, cegueta, hoje…

Nosso dileto bacharelado vai ser destruído. Por quê? Excelente questão. Burrice, mesquinharia, ganância, incompetência. Por que oferecer um curso de tantas horas, se o MEC só “exige” duas mil e tantas? Por que gastar mais, se podemos gastar menos? Por que oferecer educação de qualidade (?) se podemos ganhar mais? Houve um tempo em que a fiRma quis ser um “centro de excelência”, uma nova PUC, uma nova Faap. Pois bem, esse tempo passou.

Desde que eu entrei ali, desconfiei que o negócio não ia longe. Neste país, nós temos o pior dos dois mundos e esses colegiões privados que se auto-intitulam Unis são o emblema máximo de tudo o que deu errado na História. São o pior do capitalismo sem reter o mais vago resquício daquilo que a civilização construiu. Em cada pedra daquele lugar há um índice de seus valores: é um shopping center lustroso, onde os dvds da biblioteca têm dispositivos anti-furto colados ao disco. O estacionamento é pago, inclusive para professores. Não há plano de carreira e professores com doutorado ganham menos do que professores que sequer têm especialização (porque estes últimos foram contratados na época das vacas goradas ou simplesmente são protegidos pelas otoridade). 

Nosso curso já perdeu professores doutores, como o meu Mega Orientator, entre outros, simplesmente porque foram tratados de maneira tão desrespeitosa por aspones ignorantes da fiRma, que simplesmente disseram, “sabe do que mais? Deixa pra lá, eu me demito.” Está prestes a perder mais professores. Eu, diante das mudanças, ficarei única e exclusivamente por questões financeiras, mas certamente serei levada à demissão mais cedo ou mais tarde (ou quem sabe demitida “por justa causa”. Ontem, quando estava em aula, vi uma funcionária olhar pela porta por algum tempo, em busca de algo ou alguém. Espiei para ver o que ela queria e tal hora me levantei e lancei um olhar de “pois não?” Ela foi embora. Como já fomos informados de que estamos sendo vigiados por pau-mandados do gerentão, que está doido para “provar” que nosso curso é uma esculhambação, fica difícil não achar que tenha sido o caso. Olha, eu quase desejo que um vermezinho desses venha me confrontar… Eu masoquistamente sonho com o momento em que chegue à coordenação a delação de que minha sala estava uma bagunça, de que eu não estava lá ou algo dessa sorte. Eu perderei noites de sono maquinando respostas tão irônicas que eles vão precisar de algumas gerações para compreendê-las).

Agora me digam: é para isso que a gente faz doutorado??? Para ser espionado por funcionariozinhos??? Para ter que perder tempo preenchendo um software de chamada que, se tivesse sido feito para ser o pior do mundo, ainda não seria tão ruim? E isso tudo para ganhar trinta e pouquinhos reais por hora, BRUTOS???

Não se preocupem: diante dessa tsunami de mediocridade, minha vontade de excelência só quadruplica. É preciso me diferenciar cada vez mais dessa burrice que nos circunda. Estou muito angustiada com tudo, mas me saber fora dessa imbecilidade crônica me salva do suicídio. Dias melhores virão.

Mas, enfim, whatever… deixa pra lá.

 

O Fim

abril 18, 2008

Não sei nem por onde começar… Cada quinta-feira naquela fiRma me deixa mais deprimida, mais consciente de que O Fim está muito, muito, muito próximo. 

Só posso dizer que nunca nestes quase 33 anos me senti tão envolta em burrice, mesquinharia, mediocridade. Hoje, naquela fiRma, eu entendi que este país parece mesmo próximo ao Ocaso, que O Lado Negro da Força é quem está vencendo a briga e que daqui a pouco nem “Precariedade e Gambiarras” vai ser ruim o suficiente como lema da bandeira.

Não basta viver num país onde os filhos da elite sequer têm educação para não jogar papel no chão. Não basta que não sejam mesquinhos o suficiente para não responderem a qualquer frase com um “eu estou pagando”. Não basta estar penando para terminar um doutorado, num país que me paga menos do que a um professor particular de inglês. Não basta viver com a perspectiva de, como meus colegas, ter que dar aula de manhã, de tarde e de noite para viver.

É preciso também que o “Magnífico” Gerente da fiRma estabeleça, de cima para baixo, à revelia da coordenação e do conselho, que nosso curso será subtraído de 600 horas, tornando-se um cursão técnico do tipo “pagou, passou”. É preciso que ministremos aula sob a vigilância escamoteada de bedéis, analisando nossos “erros” a cada segundo. É preciso que demitam nossos funcionários, alegando que são “desnecessários”. É preciso que acusem nossos alunos e funcionários de furto, quando não são ladrões.

Hoje, crianças, eu perdi as esperanças. 

 

Top five alltime most pathetic crushes on a celebrity

abril 17, 2008

5) Harry Connick Jr. Lá por meus quinze anos, ele foi o amor da minha vida por uns bons 24 meses, no mínimo. Em algum lugar, eu devo ainda ter uma foto minha, de cabelo curto, segurando seu primeiro álbum, em vinil — sim, vinil — e sorrindo para a câmera. Lembro-me me de estar ouvindo uma fita — sim, fita — num walkman — sim, walkman — na escola, nos EUA, quando chega um garoto todo animado: “hey, whatcha ya listening to?” E eu: “Harry Connick Jr”. E ele: “Pew!” Nunca mais falou comigo.

4) Bruce Springsteen. Sim, eu me apaixonei perdidamente por ele na época de “We are the world”. Como diz um amigo meu: “mulher só não se apaixona por percevejo porque não consegue distingüir quem é o macho”! Não entendo muito bem o que ele quer dizer.

3) Charlie, do Menudo. Auto-explicativo. O sujeito usava legging. Por Deus, mulher!!!

2) Lulu Santos. Mas eu acho que reprimi essa memória.

1) Marcos Paulo, diretor de TV, ex-ator, ex de Flávia Alessandra, Débora Secco, Malu Mader, Beliza Ribeiro e mais umas setecentas mulheres, a atual sempre mais nova do que a anterior. Na sexta série, uma amiga minha veio dizer que o sujeito era gay. Eu: “de jeito nenhum”. Ela: “é sim, quer que eu prove?” No dia seguinte, trouxe um exemplar da Contigo! — sim, Contigo! — com uma foto dele dando um selinho no também diretor de TV, ex-ator, mas casado com a mesma mulher nos últimos 10 anos, Denis Carvalho. Eu saí da sala chorando.

A inspiração para os top five foi por ter aproveitado a promoção da Top Cine (cinco dvds de catálogo, por cinco dias, por dez real) e ter alugado para o feriado:

1) High Fidelity, com John Cusack, que eu vi no cinema, na época do lançamento, mas queria muito rever depois de ter lido o livro;

2) Stranger than Fiction. Bom, tem o Will Ferrell!

3) Lords of Dogtown. Adoooro sk8! ;P

4) O tempero da vida. Um filme grego/turco sobre comida não pode ser ruim.

5) Valentin. De modo geral, eu não gosto de filmes meigos e fofos sobre crianças meigas e fofas, mas eu estou precisando oír castellano con un acento porteño. Mal não vai fazer. Acho.

6) Passaporte Húngaro. Não posso não ver um filme de Sandra Kogut. Demorou, aliás, até eu suprir essa carência.

É que eu não tava muito a fim de filme cabeça este fim de semana… Quem se empolgar, pode vir fazer companhia que eu prometo cookies. Aliáaaas, a primeira fornada no novo solar foi feita ontem, mas em regime privé para os donos — o querido casal Monster ganhou uns de lambuja, because we love them so! 😉

 

MCT (ou: pêlos: por que tê-los?)

abril 15, 2008

Na minha gestão do Ministério de Ciências e Tecnologia, posso adiantar que verbas substanciais serão direcionadas à seguinte prioridade absoluta: pesquisa e desenvolvimento sobre o Pêlo Retrátil. Em paralelo, será criado o sub-núcleo de pesquisa genômica para descobrir como modificar o gene do Pêlo, para que passe a nascer em apenas dois lugares do corpo feminino — cabeça e sombrancelha — quiçá num terceiro, mas em quantidade e área restritas 😉 Uma comissão GLS discutirá onde deverão nascer os pêlos masculinos, pois eu gosto de barba e pêlo no peito (e aí já antevejo a polêmica, a bicharada querendo peitos lisos e as mulheres querendo peitos peludos… Um consenso, contudo: pelo nas costas, never again!)

Sério: pêlos, por que tê-los? A pesquisa sobre o Pêlo Retrátil será ainda mais avançada e complementar ao Pêlo Transgênico. Além de só nascer nesses três lugares, será retrátil, de modo que cortar o cabelo será coisa do passado. Ou melhor: de mês em mês, aparam-se as pontas, enquanto o software de design do pêlo se atualiza para o corte que você escolheu. Será preciso investigar como manter as pontas saudáveis. Aí, entraremos com a pesquisa sobre a Ponta Autocortante.

Vai ser uma revolução. E para redimir a culpa de ter que tirar o emprego da Josy, minha depiladora, já prometi a ela algum cargo no Ministério. Claro. Até porque Josy é Gente Que Faz (e faz muito bem feito, recomendo seus serviços às moradoras de Pinheiros e adjacências, viu? MESM

 

A Corda

abril 14, 2008

Hoje, o Excel me disse o seguinte: lascou-se, nega do doce! Primeiro mês sem a ajuda governamental para jogar videogame e o rombo já se vê de longe — e eu nem estou contando as mensalidades atrasadas da PUC-que-o-pariu… Agora é apertar o cinto beeem justinho, racionalizar custos e começar a pensar no que fazer semestre que vem. Uma coisa é certa: eu não ficaria muito feliz em dar outras 20 horas em sala de aula seja onde for. Daí, fica a pergunta: what now? Ai, ai…o 2º semestre de 2008 promete ser divertido…

Alguém aí entende de bolsa recém-doutor, bolsa produtividade em pesquisa ou qualquer uma dessas coisas? Ou o negócio vai ser realmente mergulhar de cabeça nos concursos para as públicas… Ô tristeza de país…

 

No bafo

abril 13, 2008

1) neste dia abafado, pescando coisinhas de ouvir na web. Depois de baixar uma pá de coisa mudérna e ruim, chego peremptoriamente à óbvia conclusão: tipo qualquer um hoje em dia dá uma de indie poser e faz, er, “música” (penso em quando todo mundo sabia tocar um instrumento e do caminho torto que percorremos até chegar aos .mp3, mas isso é outro assunto). Minha alergia a coisas mudérrrnas só aumenta. Como diz o Homem Rústico, meu assistente gentes-fina lá na fiRma: “all star e blazer eu não uso nem phodendo”. Bom, eu amo all star e amo blazer, mas minha versão da cisma dele é: “calça skinny nem pensar”. Indies de boutique, go home.

2) das coisas pescadas e mantidas: Devendra Banhart. Nem tudo, nem sempre, mas gosto desse moço há mais de um disco (e isso hoje em dia significa muito!). Ando ouvindo algumas coisinhas desses meninos do Vanguart também, umas coisinhas bonitinhas, embora leve-os bem menos a sério do que eles próprios talvez se levem (as letras não me cativam, não muito). Cobra, um antigo, disse que os moços enfiam a mão, tocam muito bem. Tem show sexta e eu queria tanto arranjar a energia para ir…

3) das “descobertas” de hoje, os únicos que ainda não foram expelidos do meu HD/iPod: Mobius Band (com uma versão de Neil Young, no más!) e Vampire Weekend. Muito prazer (também nunca havia ouvido falar, I’m not mudérna, dear). E olhe lá, ainda estão em estágio probatório, que meu HD é pequeno e meu iPod mais apertadinho ainda. Dos que foram expelidos eu não lembro mais nem o nome (o que, aliás, seria conveniente, para não baixar novamente!)

4) mininu, num é que os alunos da UnB “fizeram” o reitor renunciar for good? Mêda desse povo achar agora que pode fazer a revolução… ;P A melhor parte foi o Fernando Haddad ter que aparecer na TV. Ô cosi fófis de mamãe!!!

5) vi My Bluberry Nights ontem. Loved it, essencialmente por aquelas imagens saturadas, chapadas e cheias de texturas e por ser clautofobicamente 95% em campo/contracampo. E quem é o assistente de câmera??? Meu amigo Reinheimer, responsável por aquele foco phodidamente milimétrico, o cabra tem que ser bom pra fazer um filme inteiro daquele jeito! E eu vou gostar de comentar isso amanhã em aula 😀

 

Modo “on”

abril 13, 2008

1) Mais uma cartinha minha ao painel do leitor da Bolha de SP. Tentei ser o mais sucinta possível. Vamos ver se eles respondem, publicam, sei lá o quê. Assunto: CET, claro, para aproveitar o ensejo da matéria de hoje. A minha parte eu estou fazendo (mas o painel do leitor só serve mesmo para me lembrar que, neste país, o leitor serve no máximo para espernear, nunca para pautar um jornal…)

2) Sobre a educação “superior” deste país… Teria que ser uma série de posts e vou fazê-los. Chato, insuportável, a audiência deste blog vai despencar, mas, rapaz… sei lá, a gente tem que se mexer, gritar, fazer alguma coisa! E olhe que eu ainda sou uma das mais calmas e conformadas lá da fiRma, talvez porque, como expliquei a um colega, porque tenha nascido 15 anos depois deles, “o mundo já era uma merda, mesmo, então eu não espero muita coisa”. Mas eu retorno a esse tópico.

3) Eu ia falar de outra coisa, mas tenho que ir tomar banho 😀

4) Ah, a casa acordou ouvindo “From the beginning”, com Emerson, Lake & Palmer. DEL GRAN CARAJO!!! (Educação musical pop-erudita para os nascidos em meados de 70…)