Archive for março \28\UTC 2009

15 steps

março 28, 2009

Rraurl TV #9 – Radiohead live in São Paulo – 15 Step! from enxame on Vimeo.

Eu SABIA que o show tinha sido do caralho! Num disse??? 😀

There there

março 23, 2009

Radiohead SP 22.3.09

Originally uploaded by gomezzz

(Ou melhor: where? Where? Ou ainda: just ‘cause you HEAR it, it doesn’t mean it’s there…)

Vamos começar dizendo isso: estou doida para pegar uma reprise do show do Radiohead no Multishow, para de fato VER alguma coisa, porque o que eu vi foi isso aí acima, ou seja: um palco iluminado. (Aliás, estou começando a achar que a canção se refere a alguém como eu, que, por conta de seus 1,63m, péssimas produções locais e a incapacidade de enfrentar os loucos para se manter a 100m do palco, vê mesmo em todos os shows de rock apenas o telão e o palco. E olhe lá, porque neste caso o telão não era nenhum pouco funcional…). O pior é que a gente chegou cedo pra caramba, se abancou em ótimos lugares, viu o show dos LH bem, mas, quando terminou, veio uma massa humana imprensando de tal maneira que ninguém agüentou ficar. Então ficou aprendida a lição: não basta chegar cedo, tem que ser psicopata e agüentar ficar de pé e imprensado por horas a fio se quiser ver o show de perto*. 

Isto posto, digamos também que o show que eu OUVI é do caralho, que os caras são muito bons, o som excelente, as músicas sensacionais, o palco iluminado, mesmo, é muito bonito, etc. E deve ter sido um belo espetáculo para eles lá de cima ver aquele mar de gente cantando não apenas Fake Plastic Trees e Creep — eles tocaram as duas, esta última, no 3º bis, antecedida pela piadinha, “Guess what this one is?…” — mas também Karma Police, There There, 15 Steps, Paranoid Android… Eu não lembro d’eles terem tocado uma de minhas favoritas, Airbag, mas pode ser que isso simplesmente tenha acontecido num dos vários momentos em que eu perdi o tesão no show pelo fato de estar longe e vendo apenas um mar de cabeças na minha frente…

Sinceramente, acho que este foi meu último show de rock nessas condições “Woodstok do capitalismo”, no qual você paga R$220 por cabeça, mais taxi, mais R$5 na lata de cerveja, mais R$50 na camiseta para não apenas não ver o show, porque a arena é mais baixa (é um buraco, na verdade!), como também para passar 45 minutos tentando sair do lugar, porque os filhos da puta da “organização” canalizaram as 30 mil pessoas para uma mesma saída ao mesmo tempo (obviamente todo mundo sai na mesma hora, quando termina o show, né???). A porra do show terminou à meia-noite e meia, chegamos em casa às 2h30 e isso porque fizemos o melhor esquema possível, com van nos esperando fora do burburinho da saída do show e porque o motorista fez um caminho mega-esperto por ruazinhas do Morumbi, já que Fco. Mourato e Eliseu de Almeida estavam PARADAS (claro: pelo menos 10 mil veículos em vias simples ao mesmo tempo!!!). O pessoal que parou no estacionamento oficial eu nem imagino que hora chegou (mas talvez tenham chegado mais cedo, sei lá!…)

O melhor show da noite, pela experiência, acabou sendo o dos barbudinhos, que eu de fato consegui ver + ouvir mais ou menos de perto, envolta por uma multidão em catarse, cantando todas as músicas, mas, misteriosamente, sem a chatice habitual dos fãs neuróticos. O som estava ótimo, eles, muito tranqüilos (mas não blazé, como disseram parecer pela TV), tocaram canções que quase nunca tocam (como Cher Antoine) e fizeram bonito como show de abertura (eu ficava imaginando o Thom Yorke vendo a coisa das coxias e dizendo, “rapaz, esses meninos são bons — e o povo adora eles!!!”).

O show do Kraftwerk foi um excelente documento histórico do passado, honestamente. Não vejo sentido nenhum naquilo ali mais (a galera ficava dizendo, “eles tão no MSN!”) e se for pra ver VJlança, prefiro meu amigo Luiz Duva — aliás, esses caras do KW deviam bater bolinha com a “cena eletrônica” atual, que eles influenciaram, mas que, em contrapartida, não está congelada. Mas nem de eletrônica eu gosto… (Bom era ouvir a influência deles no som do Radiohead, aí, sim, parecia uma aula que a “curadoria” do Just a Fest propôs!)

Nos piores momentos de frustração diante de um mar de nucas à minha frente, pensei que eu só volto a ir em show “Woodstok capitalista” (pelo menos no 3º mundo) se for pra ver (o que sobrou de) The Who e, mesmo assim, se houver chances de vê-los numa civilizada arena do primeiro mundo, seria muito melhor. Se o U2 voltar por aqui na nova turnê, quem sabe eu vá nas arquibancadas, com um binóculo na mão, por uma questão de tradição (a irmã vai ver em Camp Nou!!!). De resto, bróther, pagar para ver cabeça, acho que ninguém mais…

* Foi por isso que o U2 criou a “área VIP” dos shows deles, só que, nela, não entra quem faz novela e sim quem tem seu ticket escolhido aleatoriamente na hora em que passa na catraca. Eles fizeram isso quando começaram a reconhecer as mesmas pessoas no gargarejo do palco, show após show, ou seja, quem estava ali eram sempre os mesmos psicopatas, que não tinham nada melhor a fazer, a não ser dormir na fila de entrada para serem uns dos xis primeiros a chegar. Então eles mudaram o esquema para dar a chance a pessoas normais que, quando têm seu ticket escolhido, podem levar seu acompanhante junto. No Brasil, obviamente, a produção quis subverter a área VIP, destinando-a às “celebridades”, o que foi enfaticamente vetado pelo U2 e também pelo Radiohead, coisa muito coerente, por sinal. Eu, aliás, não vou mais em show que tem área VIP, pois já não basta pagar uma fortuna, a gente ainda tem que ficar ainda mais longe do palco para que as “beldades” ex-BBB vejam o show??? Ah, só no Brasil, mesmo…

Sexy People

março 22, 2009

Imploro a visita ao blog Sexy People, um passeio pela histórias dos maravilhosos portraits americanos (sobretudo, mas não somente) dos anos 60 aos 90 (sobretudo, mas não somente) que me fizeram rolar no chão de rir. A história da cafonice de um povo, contada em imagens. O bom é pensar que ninguém os obrigou a tirar aquelas fotos, foram eles mesmos que quiseram e assim ainda o fazem hoje mesmo… <mêda>

Satiagate

março 20, 2009

Recomendo muitíssimo a entrevista de Protógenes Queiroz à TV Uol*. Se nada mais, só a maneira do sujeito se expressar já o coloca num mundo zilhões de zilômetros acima do abjeto ministro Gilmar Dantas, digo, Mendes (piadinha emprestada do primo). Chamar o bandido de bandido, no Brasil, é coisa pra cabra muito macho…

Minha gente, este episódio (Satiagraha e afins) é talvez o mais emblemático da atualidade. Chega a ser DIDÁTICO sobre a forma como a grande mídia funciona e sobre como estamos todos nós, de modo geral, afundados até o pescoço numa alienação chocante, servindo de massa de manobra para os desmandos deste país nos mais variados níveis. Senão, como se explicar que reclamamos da polícia o tempo inteiro, mas, quando ela cumpre sua função (e prende um dos maiores BANDIDOS da história), aceitamos como ovelhinhas o argumento de “golpe” vendido pela “flor do fascio” que é a Veja (justo a Veja!!!)???

Brasileiros, pelo amor de Deus, vamos ACORDAR!!!

*Como bem lembra também o primo (ocasional leitor deste cafofo), complemento: que a entrevista se dê na TV Uol e não no JN ou outro veículo aberto é também sintomático…

Por outro lado, a tal carta de Protógenes ao Obama (?!?!?), que conheci hoje, me deu muita mêda de que o sujeito seja mesmo mais “amalucado” (como quer o exmo FHC, para quem, em contrapartida, DD é “brilhante” e TheSupreme GM, “corajoso”) do que deixa entrever e esteja começando a viajar na mayo… Como diria a Phoebe ao Chandler: know when to stop…

15 passos

março 20, 2009

Alguém aí não tem como ir ao show do Radiohead em SP?

Porque eu sei que vou sobrar nos últimos segundos.

Cara de Pug

março 17, 2009



Yoda the Pug

Originally uploaded by gomezzz

Tipo isto.

Ao mestre, com cara de pug

março 17, 2009

Por outro lado: quando a aula é boa, a aula é ótima. E meu maior índice para avaliar isso vem daquelas caras de pug, com testas franzidas e cabeças ligeiramente caídas pro lado, de quem, aparentemente, está tentando acompanhar algum raciocínio muito novo (ou estranho ou difícil ou sei-la-o-quê). Mas as caras de pug não podem durar muito ou eles vão se perdendo pouco a pouco. (Pergunta: será que eu fazia cara de pug nas aulas da Lucrécia?) É uma negociação eterna com esses olhares… Ontem, além das ocasionais caras de pug, havia o melhor: aluno mudando de lugar para conseguir me enxergar, sorrisos, cabelas balançando assertivamente, exemplos, perguntas, olhares plantados em mim all the time. Confesso que acho extraordinário de minha parte conseguir estar ali, naquela posição de atenção (antítese do que normalmente prefiro) e sobreviver para contar a história. Vem a um custo: volto pra casa às 23h e demoro no mínimo umas duas horas para desacelerar. Noite passada, ainda foi mais e ainda passei a noite sonhando com caras de pug, perguntas, dúvidas, descrenças… Mas isto, isto não é reclamação: fossem duas até três aulas assim por semana seria lindo. A turma de pós é outra coisa: são adultos vacinados que querem estar ali e pelo menos parecem apreciar um professor dedicado. Mas tudo bem: toda vez que eu começar a odiar meus alunos da graduação, vou lembrar de François Bégaudeau em Entre les Murs…

The Supremes

março 16, 2009

Acompanhando a p u t a r i a da CPI midiática da Satiagraha*, ocorre-me relembrar aos meus botões, com infinito espanto até mesmo para um país como o nosso varonil Brasil, a existência de um sujeitinho como Gilmar Mendes “apenas” no Supremo Tribunal Federal (porque no Congresso a gente até aceita). E agora, caros leitores, relembremos a informação historicamente importante:

Pergunta: QUEM COLOCOU ELE LÁ???

Resposta: começa com efe, termina com e tem agá no meio.

Então, seguinte: quando Daniel Dantas sair livre, leve e solto da única tentativa de colocá-lo na cadeia, de quem vai ser a culpa/mérito? Hein? Hein? Hein? (Eu não vou entrar nas áreas do buraco real, que é bem mais embaixo, mas se o caro leitor concorda que o Orelhudo DD é do mal, então faça as operações lógicas, please…)

Brasil, o país da amnésia (injustificada, aliás, em tempos de Google e Wikipédia…)

* Para entender a operação por outro ângulo, que não o da grande mídia: blog do Paulo Henrique Amorin, blog do Luis Nassif, Carta Capital. Mas se você gosta de realismo fantástico, pode continuar lendo a Veja (acho difícil de acreditar que alguém ainda o faça sem, no mínimo, interesse antropológico).

Pobre Tom…

março 16, 2009

Eu quero vir aqui me solidarizar com o companheiro Tom Brady, porque o cara vir conhecer a família INTEIRA da mulher DE UMA VEZ SÓ, NOUTRO PAÍS, depois de casar escondido, tendo ainda que fugir do papparazzi… não é pouco, não, senhor. Isso aí, sim, é declaração de amor, viu, Giselle???

Entre les murs

março 14, 2009

SUPER recomendo. Não é apenas um tipo de cinema que me interessa como método (não-atores, narrativa difusa), interessa-me também tematicamente: um ano numa escola da periferia de Paris, enfocado através do professor de francês e sua turma. Tivesse visto o filme há cinco anos, teria gostado muito, provavelmente. Tendo visto depois de quase cinco anos dando aula, embarquei no filme arrebatadamente: me pegava contorcida na cadeira, arregalando os olhos, sofrendo vicariamente com uma potência normalmente atrelada apenas a Hollywood. Laurent Cantet, François Bégaudeau e seus adolescentes salvaram o dia.