Archive for abril \29\UTC 2009

Lattes mas não morddes

abril 29, 2009

Permitam-me indulgenciar Diávola e externar o seguinte: a necessidade de comprovação do currículo Lattes, exigida pelo MEC (?), é a prova cabal do nosso eterno subdesenvolvimento.

Porque a coisa começou bem, com um dos maiores cientistas brasileiros, Cesar Lattes, dando nome a uma plataforma genial, de indexação dos acadêmicos brasileiros, com dados sobre formação, onde trabalha, produção científica e técnica. Funciona razoavelmente bem, melhora, é séria.

Mas aí vem nosso subdesenvolvimento e transforma a coisa no Orkut da Academia, que ainda só não tem direito a perfis falsos porque você só se cadastra com CPF. De resto, no país dos picaretas, ouve-se dizer que tem neguinho que dá uma bombada no Lattes, como quem bomba o próprio Orkut. Diz que fez pós onde não fez. Diz que publicou o que não publicou. E sei lá mais o quê.

Lá na plataforma, tem bem explicadinho que aquelas informações são de sua responsabilidade, que, quando você publica, está assumindo que o que está ali é VERDADE. Mentir ali, portanto, equivale a quaisquer outros crimes contra a verdade, como, sei lá, falso testemunho e coisas do gênero.

Mas não tem jeito: no país das picaretagens e das gambiarras, porque um percentual que eu desconheço MENTE no Lattes, o resto dos palhaços tem que fazer a seguinte coisa: ENTREGAR “COMPROVANTES” DAS ATIVIDADES ALI LISTADAS. É de chorar de rir: se participou de tal congresso, certificado; se publicou tal livro, capa + índice. Se fez tal e tal coisa em tal filme, se vira: um still dos créditos na hora em que seu nome aparece, uma carta da produção dizendo que você participou, contrato de trabalho, whatever.

Eu acho que eu devo ter sido a única pessoa que pensou o seguinte: no mundo contemporâneo, gerar certificados, capas, sumários, stills, contratos FAKES é tão fácil — ou, na verdade, MAIS — do que xerocar certificados, capas, sumários, stills, contratos verdadeiros. E se tem alguém capaz de inventar que publicou o que não publicou, deve ter alguém capaz de entrar no Photoshop e criar a capa de um livro que não existe.

Eu, particularmente, porque me dôo fisicamente com tamanha IMBECILIDADE, tenho muita, muita, muita, MUITA vontade de criar o site “Certificator Generator Tabajara”. Seria um site simples, onde você, num campo, escreveria seu nome, noutro, o nome do congresso imaginário em que apresentou o trabalho inventado, cujo nome iria ainda para outro campo e assim por diante. No final, você escolhe um template entre vários e gera seu maravilhoso certificado, que, depois de impresso na gráfica da esquina em papel da melhor qualidade, com cores vibrantes, será assinado por vocês mesmo — já que ninguém, nem no MEC nem na putaqueopariu vai mesmo conferir nada daquilo, a coisa é mesmo toda feita apenas porque somos uma nação de punheteiros, NÉ, GENTE???

Agora dá licença que eu preciso ir xerocar a capa de alguns publicações reais, da ata real da minha defesa real do meu doutorado real, entre outras coisas que eu realmente fiz, mas estou quase arrependida, porque, não tivesse feito, não precisaria agora ir feito uma idiota gastar tempo provando que eu fiz o que realmente disse ter feito.

PS: há alguns anos, na fiRMa, meu Mega Orientador viveu a situação surreal de ser informado por um pobre funcionário de que ele deveria xerocar TODAS as suas publicações (ahm… dezenas? centenas?) para seu “prontuário”. Agora, me digam: será que alguém da fiRma liga pro… Rodney Brooks, no MIT, e manda ele xerocar tudo o que ele fez, tirar fotos de todos os seus robôs et

Filme Fobia

abril 27, 2009



kiki Goifman @ Campus Universitário Senac

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Fotinha da palestra do Kiko na fiRma. Ô moço legal esse, viu? Essas falas sobre processos criativos/de produção no audiovisual muito me interessam — talvez nelas eu viva vicariamente a feitura das coisas. Organizá-las, trazer essas pessoas para conversar, talvez seja uma das maneiras mais diretas e eficientes de dar um sacolejo na mesmice das 19h em sala de aula…

Em-mim-mesmada

abril 27, 2009

Se essa expressão não foi a Emília, a boneca, quem cunhou, erro de Monteiro Lobato (e eu provavelmente estou pensando nisso por causa da “ostra cismada” que ela inventou para explicar o ostracismo — hahaha, AMO o Sítio do Picapau Amarelo com todas, todas, toooodas as minhas forças!!!)

Pois bem, cá estou eu, meio em-mim-mesmada. Culpa de quem? De Diávola, que meu plano “Para Fora e Avante” estava indo muito bem até este fim de semana. Aliás, mesmo no turbilhão da volta, teve palestra com o videomaker/cineasta mineiro na fiRma, que me obriga a sair da ostra, e encontro ma-ga-vi-lho-so com meu dramaturgo-cearense-radicado-em-Salvador favorito, em que a gente descobre que, mesmo à distância, tá pensando um monte de coisa parecida, que se ilumina, e que me relembrou o quanto sinto falta de maior proximidade de gente com quem possa pensar

Cara, eu num sei, não… Tenho que descontar o véu negro-apocalipse que Diávola gosta de colocar em tudo, mas, rapaz… Acho que algo precisa mudar na minha vida, viu? Se eu esbarrasse com alguém vestindo uma camisa “Sacuda as coisas — pergunte-me como!” eu ia lá e perguntava…

Eu me divirto com pouco… :P

abril 25, 2009



Eu me divirto com pouco… 😛

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Muito, muito pouco 😀

Gooooooooorrrrdo!

abril 25, 2009



Gordinho no PhotoBooth

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No photobooth. Pode alminha, tão resignada, nem reclama das mil fotos…

Tchau, tudo de bom!

abril 20, 2009

* Verdadeira overdose de Alumbramento ontem, antes de dormir. Tanto que passei a noite sonhando com imagens meio paradonas e com a Praia do Futuro… É interessantíssimo ver uma moçadinha dessas em Fortaleza. Não que tudo o que façam seja genial, mas isso simplesmente não é o caso. É fascinante que, antes de qualquer outra coisa, positivamente existam. Ainda vou rever e pensar mais sobre os trabalhos que me passaram.

* Aqui em Fortaleza (volto amanhã à Paulicéia) ecoou ainda mais forte o que disse a garota semio-poderosa Irene Machado, na ocasião do jantar em sua casa, há algumas semanas. Foi uma chamada na chincha diante das dúvidas sobre ficar, voltar, fazer concurso. Para resumir a história, além de dizer de uma maneira muito comovente que eu tinha que cuidar do meu relacionamento  — acho que as palavras foram “não descuide de seu casamento assim” (largando tudo e indo para Fortaleza) — ela proferiu o seguinte pito/conselho: “temos que ser capazes de também propor soluções para os problemas que diagnosticamos. Você pode entrar na USP, a USP precisa de alguém como você, mas você precisa tentar, fazer algo, não pode apenas lamentar”. Aqui no Ceará diríamos, “ande, Tonha!” Mas foi um pito extremamente carinhoso e fiquei comovidíssima. Nestes dias em Fortaleza, ecoou, enquanto pensava, mais uma vez, sobre os concursos que deverão pipocar nos próximos meses…

* Esses dias em Fortaleza foram importantíssimos. Os encontros todos me deram uma grande sacolejada, de que eu estava precisando MUITO, tonta que estava, confundindo 20h em sala de aula com algo parecido com “vida”. A fala teve uma excelente repercussão: dos cabra sabido da Cinética a pessoas que nunca haviam ouvido falar ni mim, muita gente veio parabenizar (inclusive a “oratória”, rs!), conversar, assuntar, questionar. Era tudo do que precisava — e um pouco mais, se contarmos as conversas nas mesas de bar, que me lembraram de simplesmente parar para ouvir, de fato, novas falas, novas pessoas.

* Então é isso, é preciso continuar o movimento de sacolejo. Eu pre-ci-so sair dessa vidinha bunda de dar aula e me esgotar. Eu pre-ci-so voltar a produzir (ok, 5 meses de férias foram importantes), inclusive para a Cinética. Eu pre-ci-so ver mais meus amigos e cultivar os novos. Eu pre-ci-so viver o presente um pouco mais…

As image do corpo das pessoa

abril 16, 2009

Tamo aqui no Encontro Internacional das Image do Corpo das Pessoa (como bem disse Carlins). E tá óoootis! Falas boas, falas nem tão boas e encontros de mesa de bar, que é onde a gente realmente diz a que veio. A repercussão de minha fala está sendo muito boa. Encontrar e me aproximar de certas criaturas, melhor ainda. Ou seja: a fiRma que me desculpe, mas super vale a pena. E agora deixa eu ir ver o prof. Jorge Albuquerque Vieira colocar aquele vozeirão em ação. Beijo, tchau, me liga!

Cruz

abril 9, 2009

Desde de manhã, nesta maldita quinta insana, ouço professores entrarem nesta sala para devolver as chaves, dizendo: “não vei nenhum aluno. Tchau, gente, boa Páscoa!” E eu aqui, de castigo, pensando que tinha que pegar by the balls o fdp que tirou o recesso de quinta-feira do calendário acadêmico e fazer ele ficar aqui das 8h até as 22h45, dando aula para os três gatos pingados que aparecerem. Por essas e outras, faço absoluta QUESTÃO de ficar a semana que vem INTEIRA no colóquio internacional para o qual fui convidada a palestrar. Porque jogar fora tempo, paciência e disposição em nome de aulas às quais os alunos não vêm eu já fiz esta semana. NÉ???

PIG*

abril 6, 2009

 

picture-9

Olha, eu estou fazendo um esforço medonho para não comprar a passagem barata do denuncismo às avessas, na linha “a grande mídia me bateu e roubou meu saco de pipoca, ela é feia e boba”. Mas vamo combinar que alguns veículos da grande mídia não estão me ajudando nesse esforço republicano…

Porque, desculpa, mas colocar na 1ª página da edição de domingo uma manchete (canto superior esquerdo, tou com preguiça de fazer bolinha vermelha ao redor) que consegue trazer do nada o nome da presidenciável ligado a um seqüestro que não aconteceu é mau jornalismo até para estagiários da TFP. Se o “grupo da Dilma” tivesse seqüestrado o Papa, mas ela não fosse presidenciável, não teria sido manchete. Ao mesmo tempo, se eles tivessem comentado no botequim da esquina a vontade de esquartejar o filho do vizinho do então ministro da fazenda, capaz de ter virado matéria do mesmo jeito.

Aí vem a carta de um dos entrevistados, acessível apenas via blog do Paulo Henrique Amorim**, e eu fico com calafrios, pensando que manobra baixa como essa difere muito, mas muito pouco do que se via pouco antes e durante a ditadura (alguém estava acordado na aula de história sobre a Marcha da Família com Deus pela Propriedade, digo, pela Liberdade???). Desculpa, gente, é mau jornalismo, é picaretagem, não precisa nem ser de esquerda para entender, basta ter mais de 8 neurônios em funcionamento (e, ok, talvez ter ido a três aulas de história).

* PIG= Partido da Imprensa Golpista, segundo Paulo Henrique Amorim, ou seja, o 4º poder em sua sanha manipuladora.

** Mesmo com senso crítico — ou justamente por isso — só dá pra viver hoje em dia lendo o blog do PHA e a Carta Capital. A Caros Amigos, da última vez, estava tendo episódios de cegueira esquerdista que chateiam meu senso crítico. O resto da mídia ofende mesmo minha inteligência, mas continuo lendo a Folha, só que, hoje em dia, sempre com a “ajuda” dos veículos acima (dentre outros) para poder fazer uma leitura comparada, pois nem só de senso crítico se vive (é preciso de acesso às informações escamoteadas, escondidas, travestidas, manipuladas pelo PIG).

PS: bom, mesmo, são as respostas dos supostos leitores no Painel do Leitor da Folha de hoje. Porque não basta fazer o mau jornalismo, é preciso também selecionar bem as respostas que o corroboram. O rei só está nu se alguém tiver coragem de dizer…

Em tempo: sobre jornalistas inexperientes (portanto, fácil massa de manobra) nas redações, eu mesma poderia dar alguns pitacos. Com nobres exceções (dentre as quais uma leitora se reconhecerá), perdi a conta de “jornalistas” (possivelmente ainda não formados) que me ligam pedindo entrevistas e/ou artigos e não cumprem requisitos éticos básicos da profissão ou sequer da boa educação. Mas isto é assunto para outro desabafo — o Peter War disse que eu tô reclamando demais, eu preciso pelo menos tentar ser boazinha, ho ho ho…

Friends

abril 6, 2009

Mas também, quando é pra agregar… a gente agrega valendo! Assim, o sábado começou (depois de sono prolongado-até-demais e um bolo de chocolate tinindo saindo do forno) com almocinho entre mim e minha amiga Feldwoman, querida, queridíssima, que eu raramente vejo, pois nós duas somos seres altamente agregáveis, mas pouco agregadores. E o que achávamos que seria um almoço pacato entre mulherzinhas ganhou a companhia de um, depois dois, depois três diletos senhores: primeiro o chefinho, marido de Feldwoman, editor da revista em que eu já escrevi alguma vez na vida e colega de fiRma; depois, o grande Peter War, chamado na chincha há alguns posts atrás e num é que o cabra compareceu? E ainda ganhamos a presença surpresa de outro redator, formando uma divertida mesa. As conversas, como sói acontecer em casos assim, foram desde o cenário político até os hábitos noturnos e matinais dos presentes. E eu, empolgada que estava, depois de algumas ceuveujas, suspeito ter falado muito, mais muito mais do que a mulher da cobra (outra mulher e outra cobra, não sei se este ditado é conhecido em algum lugar fora das portas da casa do senhor meu pai…)

Quando Feldwoman abriu, carregando o chefinho e nosso amigo redator, eu e Peter War ainda tivemos fôlego para algumas Devassas — a cerveja, que fique claro. Só já estando bêbado — e em nome de um grande encontro — a gente topou pagar mais caro que uma Bohemia no Sujinho por uma long neck, but, oh, hell… Foi bão também, conversa com interrupção apenas para sorver golinhos de Devassas — mr. War, da próxima vez, boteco com cerveja grande, né? 😀

Achando que, para quem não é agregador, mas é altamente agregável (palavras de mr. War), o sábado já havia sido um sucesso e eu até podia voltar pra casa, ver um DVD e não me sentir Uber-Loser… ainda teve mais. As Poxocas ligaram para chamar para jantar no Otto Bistrô, na companhia Tatuzinho & avec (ah, isso foi tão coluna social!), Rito & avec (aquela bicha linda e gente fina e divertida e fashion e tudo o que há de bom) e Ana Vaca. Uma penca de cearenses + uma gaúcha candanga. E olha, estávamos empolgados em nossa cearensidade nagô, viu?… 

Rapaz… foi tanta marmota com (ou contra, talvez) a cearensidade que até as garçonetes paravam para ver (vergueeeeenza!). Teve o milionésimo revival da história do Reveillon no Ideal Club (“Emerson Ricardo Néeeeeetuuuuuu, vem aqui, tirar aqui, a foto aqui, com sua avó aqui… Mamãããããããããããiiiiiiiinnnnnnn!!!”), comentário sobre o sensacional Cearenses Internacionais, inúmeras e infindáveis novas histórias sobre marmotas locais (da Fustialeza, bem entendido). E risos, risos, gargalhadas, lágrimas de tanto rir, gente engasgando entre uma coisa e outra (eu e Tatu quase passando mal com o “comi chega disminti o bucho” que ninguém mais do que a nova Mestre Poxoca para proferir, CLARO!)

Enfim, minha gente… O dia foi foi bom, o dia, ó? 😀

Aí, com a tranqüilidade (I ❤ trema, tá?) da missão cumprida, eu passei o dia em torno do meu umbigo no domingo. Erro, claro, mas a gente corrége outra hora. 😛