Archive for outubro \23\UTC 2009

Digra ’09 Proceedings

outubro 23, 2009

Já estão disponívels na Biblioteca Digital da Digra os proceedings da conferência deste ano. Comecei muito bem a leitura pelo artigo Experiential Narrative in Game Environments, de Gordon Calleja, que trabalha conceitos muito parecidos com os que eu trabalho, mas vindo por outra abordagem. É sempre bom encontrar alguém no mundo dos games studies capaz de ir além do debate vazio entre narratologia x ludologia. (Eu, contudo, tenho que dizer que boa parte do que ele trabalha ali é muito melhor e mais tranquilamente resolvido quando se parte de uma epistemologia semiótica, para quem a questão de um texto que se constrói na leitura já está pacificada há muito tempo, sem apelar para a dicotomia texto x leitor.)

Tempo

outubro 7, 2009

(As palavras não dão conta e só agora esta semioticista percebe. Não sei nem se faz sentido escrever no blog. Mas também não sou do tipo que encerra as coisas em arroubos. Nunca fui. Pelo contrário. E, mesmo sabendo que as palavras não dão conta, não tenho como fugir delas. Resta-me fabular. Ou não, não sei.)

A morte de alguém tão próximo fende a vida em duas. Isto é muito claro. Eu tinha uma vida, que cessou ao receber a notícia da morte de meu pai e deu lugar a outra. A imagem do momento em que recebi a notícia é a que mais tem recorrido esses dias. É fulminante. E a partir dela, começa a lenta construção dessa outra vida… Em que passo a carregá-lo comigo a cada segundo, para mantê-lo vivo, porque, sem ele, quem não vive sou eu. Tenho medo e me sinto só. (Ao mesmo tempo, todas as manifestações de carinho têm me comovido e me impedido de enlouquecer. Mas é triste reconhecer que nada resolve essa solidão que se criou aqui dentro de mim. E talvez nunca resolverá…)

Minha luta agora é para não cair em depressão. Não é uma luta qualquer (e quem tenta fazer dela uma luta qualquer não ajuda a quem luta. Ao contrário, atrapalha e muito). Já estava profundamente insatisfeita com algumas questões da minha vida, agora… Confesso que não sei onde buscar forças para não cair. E sei bem que, a despeito de tudo, não tenho o que reclamar da vida (tenho bons amigos, tenho uma grande família maravilhosa, vivi 34 anos ao lado de um pai maravilhoso, tive êxitos, pago minhas contas, sou amada, tenho — até onde saiba — saúde…), mas não cair não é fácil… (Como lutar contra a falta de vontade de lutar???)

Não sei bem o que fazer agora…