Archive for dezembro \08\UTC 2009

Nação Rubronegra

dezembro 8, 2009

Não parei de sorrir um segundo. Nem de pensar no MC (se ele voltasse ao mundo, por um milagre, ia ter é zé preu explicar pra ele: “ó, pai, então, sabe quem foi campeão brasileiro? Pois… foi o Flamengo!” Aí ele ia achar que tinha morrido e ido pro céu! Ai, ai…)

Hexa!!!

dezembro 7, 2009

Hexagera, Mengão!!!

Ah, se vocês soubessem a saudade que me deu do papai com essa (sofrida) vitória rubronegra hoje… É irônico demais que eu seja rubronegra por causa dele e que, agora, ele não esteja aqui para dividir comigo — ou eu com ele — o sexto título nacional do Flamengo. No último, eu tinha 17 anos (foi, portanto, há 17 anos!) e, conquanto importante, não foi a mesma coisa. 17 anos de sofrimento depois, que o diabo do time tenha finalente chegado lá, pouco mais de dois meses depois da morte dele, logo num domingo em que o Flamengo ganhou… dói demais.

A vida não tem a mais vaga lógica. Nós é que tentamos dar a ela algum sentido, às vezes, com algum sucesso. Tá muito claro. E eu, que não acretido em Deus ou qualquer coisa do gênero, me agarro desesperada àquilo que mantém meu pai vivo em mim. O Flamengo é uma das coisas mais fortes; agora, mais do que nunca. Sou flamenguista por ele: não tanto porque ele tenha me canonizado assim, deliberadamente, mas por puro amor de ver aquele flamenguista feliz quando o flamengo ganhava. Flamengo = alegria = amor, portanto. E muito cedo eu passei a amar, verdadeiramente, o rubronegro da Gávea.

O Zico foi um dos primeiros e maiores amores da minha vida. Taí a foto pra não me deixar mentir: eu devia ter uns… 6 ou 7 anos e lembro-me, ainda hoje, da alegria que foi tirar a foto com ele. Ele perguntou: “você torce pra que time?” e eu olhei pra ele e respondi, com uma cara de ‘dah!’: “Flamengo, ué!” Acho que ele esperava um “Ceará” ou “Fortaleza”, mas, ora… eu era Flamengo e o era de fato. Chorei de verdade quando o Zico foi vendido para a Udinese. Chorei de verdade quando ele foi tirado de campo numa maca na copa de 82. Chorei de verdade quando ele perdeu o pênalti em 86.

Meu pai era Flamengo porque foi criado no Rio. Quer dizer: filho de militar, nasceu no Mato Grosso do Sul e passou a primeira infância no Rio, torcendo pelo Fluminense (eu descobri isso aos 20 e tantos anos e quase morri do coração). Logo em seguida, vovô foi transferido para o Recife e papai se tornou fanático pelo Sport (na época, não havia Brasileiro). Quando voltou para o Rio, era um rubronegro tão fanático que não pôde voltar a ser tricolor, precisou converter-se flameguinsta e uma vez Flamengo… Quando eu nasci, anos depois, já não havia mais volta…

Quando a gente perde alguém tão próximo, as lembranças viram moeda rara. Uma das que cultivo é minha primeira ida ao Maracanã, em 1988, acho. Copa do Brasil ou algo assim, justamente um Flamengo e Grêmio. Fomos pras cativas de algum amigo do papai. Lembro-me bem dele, de blazer e camisa pólo, Ray Bans e tal. Subimos no elevador junto com o então técnico da seleção, Sebastião Lazaroni. Foi uma das pouquíssimas ocasiões na minha vida em que fiz algo apenas com eu pai. O Flamengo jogava pelo empate e perdeu de 2 x 0 (donde meu trauma com o Grêmio!). Jamais vou me esquecer da cara do papai, descendo de elevador, aos 40 do 2º tempo, me dizendo: “a gente ainda vai ouvir o grito de gol, ainda dá tempo…” Não deu. O Flamengo perdeu e foi desclassificado. Minha maior dor, contudo, mesmo naquele tempo, era a tristeza de vê-lo desapontado, por ter me levado ao Maracanã para ver uma derrota do nosso time…

Hoje, a saudade me dilacerou nesta vitória sobre o carrasco gaúcho. Se ele tivesse vivo, teria desligado a TV no gol do Grêmio. Teria tentando me convencer a desligar a TV também. Eu não desligaria (mas hesitaria) e acabaria ligando pra ele no gol do empate. Na virada, ligaria aos gritos e ouviria a voz dele meio contida, ainda desconfiada: “agora vai, agora vai!”. Quando o juiz apitou o fim do jogo, aos 48 minutos do 2º tempo, eu caí no choro (ainda deve ter gente achando que eu sou fanática!).

Flamengo campeão brasileiro, hoje, é a marca da ausência do meu pai no mundo. E a vida continua. Nunca mais a mesma, mas, tristemente, continua…