O que não foi feito

Fiz um fettuccine alfredo neste sábado solitário. Simples demais (e zuuuper light!): a um trisquinho da água do cozimento, misturam-se manteiga e um pouco de creme de leite (diz que do fresco é melhor, mas eu só tinha o de caixinha) e parmesão ralado (do bom, por favor!). As medidas foram no olho. Ficou um espetáculo e demorou 10min, entre o cozimento da pasta (na verdade, um tagliatelle Barilla) e o molho, que não vai ao fogo, é feito apenas com o calor da massa.

Enquanto comia, me dei conta, com uma certeza possível apenas nessas horas, de que papai teria adorado comer esse prato feito por mim. Era o tipo de coisa que ele a-do-ra-va: uma comidinha assim gostosinha, mas simples, tarde da noite. Chego a ouvi-lo dizendo “oh, perrrrquena!…”, quando eu abrisse a porta do quarto, trazendo o prato prontinho numa bandeja. Esse momento não chegou a existir: cozinho há poucos anos e, quando ia a Fortaleza, dificilmente cozinhava, dada a existência da nossa fiel escudeira Adriana. Ele também não vinha a SP há muito tempo…

Comi feliz a minha comidinha, pensando nele, mas com uma pontada triste no coração… Tanto por fazer. Tanto por viver e ele se foi (há pouco mais de seis meses, inacreditavelmente). A vida se encaminha, mas não se passa um único dia sem que eu pense nele várias vezes. Inúmeras vezes, ainda fico confusa quando me lembro que ele já não vive. É como se fosse piada. É como se fosse impossível. Não faz sentido e talvez não faça nunca.

Logo que ele morreu, pensei nas coisas importantes que ele não mais chegaria a viver. Não levará ao altar sua filha (maiores possibilidades da mais nova, mas, vá…). Não conhecerá seus netos (se eles um dia vierem). Hoje, me ocorrem com freqüência as coisas mais banais que ele não vai fazer, como provar da minha comida. Como andar no carro que ele ajudou a comprar. Como visitar a irmã no Velho Mundo. Como ver o Flamengo hexa-campeão… E toda vez que lembro de mais alguma coisa que ele não vai mais compartilhar, a saudade dói um tantinho mais do que o habitual…

Uma resposta to “O que não foi feito”

  1. danilo Says:

    embora esse post já tenha mais de um mês, vou dizer assim mesmo. hoje estava andando e do nada passou pela minha cabeça que eu não lia o teu blog desde que você deu um tempo de atualizá-lo. me deu uma vontade de ler de novo. e esse último post é tão devagarinho e tão bonito. tomara que quando vc escrever de novo eu me lembre de ler. porque já discordei muito de você, em silêncio, mas sempre gostei de ler. e em toda vez que escrevo eu meio que explico quem “sou”: danilo, amigo do ronaldo, do gui braco… bj

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