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Notas sobre uma viagem que terminou

julho 26, 2011

É impressionante o quanto Fortaleza tem, para mim, a capacidade de “ressetar” o estranhamento de toda e qualquer experiência. 22 dias viajando pela Europa, tentando ser uma viajante e não uma turista (deixando algo de mim, levando algo do lugar dentro de mim) e, com menos de 24h em Fortaleza, tudo parecia cada vez mais um sonho, velozmente se dissipando na memória. Isso é assustador – e a “culpa” é tanto de Fortaleza, como cidade de consensos, quanto do fato de Fortaleza ser, para mim, uma espécie de cânone da experiência de vida. Fortaleza é, portanto, o ponto ótimo da automatização do viver (e só isso já explica porque eu hesito tanto tanto tanto em voltar). Ou seja, em última instância, a culpa é minha.

Dessa maneira, escrever é tentar não esquecer. Volto para SP em poucos dias e me sinto aterrorizada ante às manchetes da Folha: arrastões em restaurantes, arrastões nas Marginais, mototrombadinhas roubando bolsas e celulares em Pinheiros em plena luz do dia. Tudo violento demais e, sobretudo, próximo demais – sabe-se que a classe média brasileira, na qual me incluo, tende a não se incomodar tanto assim quando a violência se restringe “aos outros”. Mea culpa, tentaremos melhorar… Mas, voltando ao estranhamento, demora um tempo pro brasileiro, andando pelas ruas de Paris, Barcelona, Porto ou Lisboa (para aqueles que andam pelas ruas), parar de olhar por sobre o ombro, pra ver se não há elemento suspeitos prestes a assaltá-los. Contudo, depois de alguns dias voltando pra casa (casa? casa!) de madrugada tranquilamente a pé, instala-se na memória do corpo um outro afeto, muito doloroso de ter que tapear na marra, numa terra onde já não se pode mais *estar* em paz, seja onde for, a que horas for. Difícil.

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Ao mesmo tempo, é preciso saber ser um pouco estrangeira na própria terra, ou os sentidos se embotam e viver se torna uma repetição de certezas e consensos dia após dia. Se bem que eu me acho razoavelmente boa em apreciar todo e qualquer cafezinho de SP como se fosse inédito…

Geraes

julho 14, 2008

Chegamos das Geraes. Três diazim piquininim, curtim, mas bão, sô. Quase num é Geraes: é Delfinópolis (depois: fotos), pertim da fronteira com SP. Mas é bão dimais da conta, sô. Sopé da serra da Canastra, cachoeiras mil. Água gelaaaaaada! Mas eu entrei, eu, que já enfrenti o Posto 6 de Copa em Dezembro. Cê entra, o corpo chega a doer. Quando sai, fica formigando um tempo… Água cristalina… tem alguma coisa com água que me hipnotiza…

Mas, enfim, chegamos das Geraes. Fui lá passar esses diazim só porque a pobre Cobra não vai ter mais férias depois disso. Mas estudei, li e agora é full throtle na Famigerada. Algo sai, se vai ser bom como eu queria, já não posso garantir. Mas sai.

Como disse, depois: fotos.