Archive for the ‘o fim está próximo’ Category

Rádio livre

fevereiro 27, 2009

Matéria sobre a rádio comunitária de Heliópolis, a única – Ú-NI-CA – de São Paulo que está regulamentada. Por coincidência ou não, a matéria sai poucos dias depois do fechamento da Rádio Muda de Barão Geraldo, em Campinas, pelos truculentos da PF e pela Anatel (agência para a qual outra finalidade não se conhece).

Rapaz… as rádios comunitárias são um emblema muito interessante deste Brasil varonil. Que as conheçamos como “rádios piratas” e que a maioria de nós sequer questione tal nomenclatura é um sinal muito claro de nossa alienação (e me incluo obviamente no “nós”). Em boa parte dos casos, seu único crime é não ter uma concessão intermediada por uma linhagem infinita de sanguessugas, como é o caso das emissoras comerciais. Seu grande mérito, na mesma medida, é o passo GIGANTESCO rumo à democratização da comunicação num país centenariamente alienado.

Gente, a gente precisa acordar! Esses problemas também são NOSSOS!!!

A obra

novembro 8, 2008

Estamos quase enlouquecendo: de segunda a sábado, das 8h às 17h, pelo menos, temos que agüentar a ressurreição do prédio que ficou difunto por alguns anos aqui do lado. Quando nos mudamos, eu pensei: “ah, mas, mesmo se voltar, não vai ter muito problema, pois a pior fase já passou, agora é só acabamento”. Ledo engano…

O que está enlouquecendo a vizinhança INTEIRA não é “apenas” o barulho gentil das britadeiras: é, como já disse antes, um GERADOR que soa bem parecido com um CAMINHÃO DE GRANDE PORTE ACELERANDO DE PRIMEIRA LADEIRA ACIMA. O dia inteiro. IN-TEI-RO: vrrrrum… vrrrrrrummmm… vrrrrrrrummmm…

Agora, quando eu disse “estamos” enlouquecendo, é melhor explicar: euzinha estou P da vida com a ZUADA, frustrada com a ESCULHAMBAÇÃO que é este país de picaretas etc. Mas o pior MESMO é ter que lidar com a frustração da Cobra, que está, ele sim, à beira da loucura, sendo ele um rapaz do campo, acostumado a passarinhos, coisa e tal. Então a coisa quadruplica em stress: ele, segurando as pontas para não ter uma piloura de ódio; eu, segurando as pontas para não ter uma piloura de ansiedade diante da possibilidade d’ele ter uma piloura de ódio e assim por diante, ad infinitum.

Já prestamos várias queixas ao PSIU e agora peço ajuda dos amigos jornalistas, ligados à prefeitura, arquitetos, construtores. Eu tenho quase CERTEZA de que essa obra é IRREGULAR. Não tem alvará (placa com nome do engenheiro responsável) e esse gerador me parece ser algo TOTALMENTE ABSURDO. A única explicação para os caras não usarem luz da Eletropaulo, para mim, é picaretagem.

Mas o PHODA do País da Gambiarra (aka Brasil) é que não se tem a quem recorrer! A síndica já disse que, antes da obra parar, entraram com processo, espernearam, chamaram a prefeitura e NADA aconteceu. Eu estou prestes a ir lá ter um piti, mas a Cobra não deixa, pois, além de ter que agüentar a barulheira, a gente está lidando com BANDIDO. Porque um sujeito que faz o que essa obra está fazendo é isso: BANDIDO, FILHO DA PUTA, SAFADO, SEM VERGONHA.

Então ficam aqui meus mais sinceros desejos: ao senhor dono da construtora e incorporadora Habitacon: MORRA. Lenta e muito, mas MUITO dolorosamente. Que sua vida seja, daqui para sempre, uma estrondosa e fedida merda. Que sua saúde desapareça, que sua felicidade inexista, que ninguém, absolutamente ninguém o ame, que até seu cachorro o odeie, que a vida lhe seja cruel e que o senhor, após morrer, vá para a esquina mais quente e fétida dos QUINTOS DOS INFERNOS, onde nem o Diabo passa, mas delega aos que lá estão uma eternidade de dor.

Socorro!

novembro 2, 2008

Tipo: mêda, hein? Meninas usam maquiagem cada vez mais cedo — com conivência e até apoio das mães. Gente, não sei se estou preparada para isso… Se minha filha de 5 anos quiser usar maquiagem, carregar bolsa e usar sandalinha de salto, acho que me mato. Não tenho esperanças de que ela seja como eu — que fui usar maquiagem e fazer as unhas depois dos 20 e até hoje só uso salto um vez perdida, mas, meu Deus… mêda, mêda, mêda dessa erotizacão precoce das crianças brasileiras, hein? Damn you, Maria das Graças Meneghel, que tu vá para o quinto dos infernos!!!

Nessas horas, eu rebato um amigo meu sobre escola para os filhos. Ele diz que não precisa dessa sangria desatada para colocar as crianças no Santa Cruz. Super concordo, mas a partir de tal idade: até pelo menos uns 6, 7 anos, tem que estar numa escola muito, muito legal, pelamordedeus! Uma em que a Xuxa e outras loiras simplesmente não existam! Que também não existam os biscoitos recheados de gordura hidrogenada! Onde não se encorage a histeria, como na escola aqui do lado, em que eu só ouço criança berrando.

Minha gente, minha gente, é muito grave, é gravíssimo. Como diria a Regina, eu tenho mêda. Eu temo que o apocalipse esteja próximo! Criança de 3 anos com estojinho de maquiagem eu tenho certeza que era uma das PIORES previsões de Nostradamus!!!

Help!

Buffer

outubro 16, 2008

Olha: tem dias em que eu tenho muita vontade de sair distribuindo a seguinte frase: esse é um problema do tipo “seu”.

Vejam: eu tenho tentado aprender com as pessoas mais generosas da minha vida a me dar cada vez mais. Mas tem horas que não sei não… “Ah, eu queria A, mas só tem B!… Ou será que quero B? Ou A? O que é que faço, hein? A? B?…”

Das primeiras cinco mil vezes, a gente argumenta, propõe, consola, mas, a partir de um determinado momento, dá vontade de simplesmente usar uma das melhores frases da Becky, minha “mãe americana”: “Honey, life is a bitch.”

Ou então adotar o approach Seu Lunga:

– Lunga, tá me dando uma coisa…
– Pois receba.
– É uma coisa ruim.
– Pois devolva!!!

E completar com uns bofetes que é pra ver se a pessoa sai do transe.

(Ihasahotdog pretty much saves my life eveyday!)

Ressaca

outubro 12, 2008

Eu só posso culpar por minha atual preguiça intelectual o excesso de estudo! Ando com uma estrondosa falta de vontade de ler, pensar ou sequer de assistir “filme cabeça”… Minha seleção de textos sobre games no Google Reader tá lá acumulando centenas de ítens que eu sequer consigo pensar em abrir… Desisti de ir à Socine sobretudo por absoluta falta de vontade de apresentar um trabalho acadêmico… Os textos da Cinética tão apenas começados…

Se bem que ontem eu comprei minha permanente especial para a Mostra, mas foi essencialmente só pra não deixar de comprar (uma vez que a especial dá apenas acesso a sessões de segunda a sexta, até as 17h59 — mas, afinal, eu tenho três tardes “livres” por semana… E custa o preço de 5 inteiras, ora!)

Vontade mesmo é de cozinhar, aproveitar a Net Gold de brinde por tempo limitado, ir com as Poxocas à loja de 1,99 e ver coisas absurdas na TV aberta…

Mas passa. Ou melhor: a vontade também de coisas intelectuais já já volta.Enquanto isso, eu vou ali apertar o pequenino primo-sobrino e rir com as invenções dele. Depois, quem sabe, passar na loja do Seu Abílio, comprar uns shimejis ou funghis para fazer um risoto… e, se der tempo, aí, sim, ler Amós e/ou a Carta Capital (se bem que esta última quer me explicar a crise e eu tô achando que não vale a pena entender a crise!)

Escrevendo, tá até dando uma vontade de ver uns Resnais no computador… É, deve haver salvação para minha seca mental…

Utilidade pública

outubro 10, 2008

Para ineptos & pobretões — como eu: planilha google docs (via e-beth, via blog Chega de Bagunça) pra ajudar a gente a mapear os gastos invisíveis do dia-a-dia… INCRÍVEL! Só na primeira semana de outubro eu já contei quase quinhentas pilas (tudo bem que o cabelereiro é mais da metade), mas, pô! 

Não que eu ache que uma vida feliz seja feita de tostões contados, mas que deve haver maneiras de otimizar gastos, ah, deve e eu bem que tou precisando. Se nada mais, enxergar meus gastos será bom o suficiente!

Lona

outubro 10, 2008

Hoje é um daqueles dias em que a realidade me acorda a tapas… Um daqueles dias em que eu vou ter que abrir meu Excel e reformular o orçamento… Rapaz, a gente ganha muito pouco! Dia 10 do mês (do meu aniversário) e eu já estou na lona!…

E o pior não é isso: o pior é não ter muita perspectiva de mudança… Tou aqui, às vésperas da minha defesa de doutorado, e a realidade que me aguarda é dar 20 horas em sala de aula, por um salário cretino, numa instituição que CLARAMENTE quer reduzir seus já trôpegos atuais padrões de qualidade de ensino a algo abaixo do pó… As notícias da fiRma são catastróficas: fim sumário dos programas de mestrado (e, por conseqüência, da pesquisa em geral), ascensão de coordenadores biônicos, redução drástica da carga horária do curso (e conseqüente frankensteinização do projeto pedagógico)…

Expectativas? Dar outras 20 horas em sala de aula para inteirar o orçamento… E olhe lá, porque, até agora, convite nenhum para essas 20 horas. O convite super legal até agora foi para ganhar a mesma merda e trabalhar mais. Tipo: não, né? 

Tenho criado um indexador para o desânimo profissional na minha vida: a quantidade de vezes por semana — ou por dia — em que considero virar publicitária. Bom, esta semana, enquanto a bolsa afunda, meu indexador está em forte viés de alta: pelo menos uma vez por dia eu pensei em ir pedir emprego em alguma agência e/ou produtora ligada à publicidade…

Mas já que eu disse prum amigo ainda mais decepcionado e de saco cheio que eu sentia que “algo de bom estava para acontecer”, vou tentar acreditar nisso…

A FiRma

outubro 1, 2008

Ai, ai… tem certo dias em que eu volto da fiRma achando que o fim está próximo… Mas é como eu disse a um estimado colega, mais decepcionado do que eu: “nós é que estamos no lugar errado”. Sim, porque eu não fiz doutorado para dar 20 horas de aula no esquema taxímetro, quanto-pior-melhor, vendo medidas estapafúrdias serem baixadas por funcionários da fiRma, do dia para a noite, phodendo com a vida de todos. Tipo: diminuição de carga-horária de curso, fim das horas de pesquisa, dos programas de pós strictu senso… 

Tem jeito, não… Terminando o doutorado, apaixonada pela pesquisa e sem saber o que será de mim… Me resta ir ali ver qual é a da bolsa Produtividade em Pesquisa… Quem sabe exista a categoria “Bloco do Eu Sozinho”…

Crack! Crash! Boom!

setembro 29, 2008

E o negócio vai indo… Dólar batendo 2 real… E nós aqui sem saber o que fazer sobre a viagem. Obviamente: se as coisas não se estabilizarem nos próximos dias, vamos ter que repensar tudo…

Mas, enfim, mais umas palavrinhas sobre consumo: eu tenho amigos (inclusive, leitores) que poderiam falar coisas bem mais pertinentes do que eu sobre as repercussões sociais, ambientais, econômicas, políticas dos nossos hábitos de consumo. Eu estou submersa no senso comum, no que diz respeito a isso. E embora saiba que não posso mudar minha vida ao ponto de ter a mesma compreensão do assunto que têm meus amigos verdes, quero sentar e ouvir a história.

Hoje, Cobra e eu andávamos pelas gôndolas do GIGANTESCO Záffari e comentávamos como nos anos 70 os EUA já tinham SUPERmercados e parte da experiência dos viajantes de intercâmbio naquela época consistia em viajar na maionese do consumo americano, enquanto isso só foi chegar ao Brasil — em sua versão mais perversa e farsesca, como sói acontecer — a partir da década de 90 etc. E agora a coisa se incrementa ainda de um jeito mais perverso e farsesco e vai indo e vai indo…

O que eu sei é o seguinte: como leiga (em economia, sociologia, ecologia), mas como alguém que não está ilhada no próprio umbigo, eu tenho entendido, entre outras coisas, o quanto existe de pura ANSIEDADE nessa coisa de consumo (e isso, dah!, não é novidade ou coincidência, é friamente calculado: “você precisa ter! você PRECISA TER!!!”). E se tem uma coisa que eu quero trabalhar é ansiedade. Para TUDO na minha vida (e tenho trabalhado e, mon dieu, como a vida é mais fácil hoje!…)

Com a disparada do dólar, eu deixei de lado os planos de compra, seja EOS, seja iPod, seja o que for. Pura ansiedade: “mas fulano vem vindo da Europa, ele PRECISA trazer alguma coisa!” Precisa não. Não é o momento. O momento agora é: LET’S SOSSEGATE THE RABICÓ!!! 🙂 Ainda tô pagando o com pu ta dor e o ce lu lar. Falta mesa de jantar e seria lindo trocarmos nosso sofá por um sofá-cama decente, para receber os amigos, mas as duas coisas vão ficar para o pós-viagem (se houver viagem).

Agora, o projeto é investir meu tempo (e, se for o caso, dinheiro) nas seguintes coisas: cozinha (aprendendo a cozinha, não comprando utensílios, que fique claro), jardinagem, arrumação da casa, dar um jeito de instituir coleta seletiva nesta bagaça de prédio, transformar a tese em artigos, preparar idas a congressos para o ano que vem, passar o máximo de tempo com meu sobrinho-primo delicioso, andar de bicicleta, melhorar minhas disciplinas, escolher filmes para mostrar aos alunos, voltar à natação. Tá bom demais, num tá não? 😉

Não sou, não serei, não quero ser asceta. Mas o projeto é menos ansiedade, em todos os sentidos.

Scanners!

junho 16, 2008

É melhor eu pensar em malhar um pouco antes de pegar um vôo pros EUA. Já que algum agente vai me ver como vim ao mundo, que pelo menos seja uma boa experiência (para ambos, aliás!)! Mêda.

(Via Dispositivos de Visibilidade e Subjetividade Contemporânea, que recomendo, aliás!)