Archive for the ‘seilámilcoisas’ Category

Liberdade

setembro 16, 2009

A-ha, u-hu, a web é nossa! Aleluia, uma luz, uma luz!

Um relatório para a Academia

setembro 14, 2009

LUIZ FELIPE PONDÉ
CLÓVIS ROSSI pergunta em sua coluna do dia 8 de setembro, página A2, se no Brasil vivemos algo como o que acontece na vida universitária da Espanha hoje: desinteresse dos alunos e asfixia burocrática dos professores. Sim, há semelhanças.

Nos anos 50, o filósofo norte-americano Russel Kirk descrevia um fenômeno interessante nas universidades americanas.
A partir do momento em que a vida acadêmica se tornou objetivo da “classe média”, gente sem posses, a vida universitária entrou em agonia porque a proletarização dos acadêmicos se tornou inevitável.
Dar aula numa universidade passou a ter algum significado de ascensão social. A partir de então o carreirismo necessariamente assolaria a academia, assim como assola qualquer emprego.
Cálculos estratégicos para garantia do emprego passaram a ocupar o tempo da classe acadêmica. E muita gente que vai dar aulas na universidade não é tão brilhante assim ou tão interessada em conhecimento.
O cálculo estratégico hoje passa pelo número de alunos que implica uma redução ou não de aulas e orientações de teses.
Ou mesmo nas públicas, onde você está mais protegido da proletarização imediata, uma verba maior ou menor para seu projeto e mais ou menos discípulos causarão impacto na renda final e na imagem pública.
Daí o desenvolvimento em nós de um espírito selvagem: o corporativismo em detrimento do ensino ou o ethos de gangues em meio à retórica da qualidade.
Muitas pessoas (alunos e professores) buscam a universidade não para “conhecer” o mundo, mas sim “para transformá-lo” ou ascender socialmente.
E aqui, revolucionários (“criando o mundo que eles acham melhor”) e burgueses (interessados em aprender informática para “melhorarem de vida”) se dão as mãos.
Este pode ser mais individualista do que o outro, mas ambos fazem da universidade uma tenda de utilidades.
Para mim não faz muita diferença, para a banalização da universidade, se você quer formar gestores de negócios ou gestores de favelas. Nenhum dos dois está interessado em “conhecer” o mundo, mas sim “transformá-lo”.
É claro que nos gestores de favelas o espírito selvagem pode funcionar tão bem quanto entre os gestores de negócios. A obrigação da universidade em produzir “conhecimento de impacto social” é tão instrumental quanto produzir especialistas na última versão do Windows.
O utilitarismo quase sempre ama a mediocridade intelectual. Falemos a verdade: a mediocridade funciona.
Ela gera lealdades, produz resultados em massa, convive bem com a estatística, evita grandes ideias. Enfim, caminha bem entre pessoas acuadas pela demanda de sobreviver.
A instrumentalização é quase sempre outro nome para utilitarismo. Isso não quer dizer que devamos excluir da universidade as almas que querem ser gestores de negócios ou gestores de favelas -elas é que excluem todo o resto.
Precisamos dos dois tipos de almas, e cá entre nós, acho que os gestores de favelas são moralmente mais perigosos do que os gestores de negócios. Como todos nós, ambos irão para o inferno, a diferença é que os gestores de favelas acham que não.
E a asfixia burocrática? Ahhh, a asfixia burocrática! Esta contamina tudo e em nome da democratização da produção e da produtividade da produção.
A burocracia na universidade nasce, como toda burocracia, da necessidade de organização, controle, avaliação.
Não é um sintoma externo a busca de aperfeiçoamento do sistema, é parte intrínseca ao sistema. A pressão pela produtividade proletariza tanto quanto a pressão pela carreira.
Soa absurdo, caro leitor? Quer mais?
Em nome da transparência da produção, atolamos esses indivíduos de classe média na burocracia da transparência e do acesso à produção universitária.
Enfim, a “produção” asfixia a universidade em nome de uma “universidade mais produtiva, democrática e transparente em sua produtividade”. Estamos sim falando da passagem da universidade a banal categoria de indústria de conhecimento aplicado, e sob as palmas bobas de quem quer “fazer o mundo melhor”. Tudo bem que queira, mas reconheça sua participação na comédia.
Kafka, em seu conto “Um Relatório para a Academia”, já colocava um ex-macaco, recém-homem, fazendo um relatório para os acadêmicos.
Ali ele já suspeitava que a academia continha algo de circo ou show de variedades. Hoje sabemos que isto já aconteceu.

ponde.folha@uol.com.br

Tudaomesmotempagora

setembro 11, 2009

Ufa, parei um segundo. Desafio pro fim de semana: não pensar em absolutamente NADA ligado a cinema, narrativa, games, pesquisa, trabalho or what-the-fuck-ever. Já se sabe que é impossível…

Dias muito corridos, mas com coisas boas. Passada a fase Diávola — que agora traz, além de tudo, uma puta duma enxaqueca quase completa — tudo é lindo & maravilhoso, apesar do trabalho muito, muito, muito puxado.

A Intercom 2009 foi ótima. Não aproveitei muito a parte social, por causa de Diávola+enxaqueca, mas mesmo assim. O GP de Cibercultura é uma animação sem fim. Com a poderosa conexão sem fio que a Universidade Positivo deu, as mesas do GP dobravam-se infinitamente sobre si mesmas via twitter. Eram as comunicações acontecendo e todo mundo twitando: “fulando diz que as redes sociais isso…”, “beltrano acha que os games aquilo”… e por aí vai. O negócio foi tão incrível, que, tal hora, tinha gente numa sala fazendo pergunta para palestras de outra, via twitter. E culminou na flashmob das 16h10 do dia 6/set, em que os twitteiros se levantaram por 5 segundos, só pra dar visibilidade a esse outro nível de experiência presencial que o virtual estava criando. Mutcho loco.

Apesar do cansaço, do fato de muitos trabalhos não terem lá grande relação com meus interesses de pesquisa, da minha completa ausência das inúmeras atividades sociais do ultra-animado grupinho do GPCiber, sinto que o encontro deixou marcas. Algumas boas pesquisas, poucos, porém bons contatos e, aos poucos, vou entendendo melhor alguns caminhos para essa vida de pesquisadora. Fica mais fácil viver um dia de cada vez, quando temos a sensação de que não estamos tão sozinhos…

De resto, ando muito intrigada com minhas fases de humor. Em Curitiba, estava mal. Além da enxaqueca — muita dor de cabeça, tontura, fotofobia… — mau humor. A não-socialização com o povo do GP teve tudo a ver com isso: eu simplesmente estava sem nenhuma paciência para fazer amigos. Passou Diávola, pareço uma outra pessoa: otimista, sonhadora, curiosa, apaixonada. Vai entender. Já marquei minha consulta com um novo ginecologista, recomendado por ser mais “holístico” (palavras minhas, na verdade), pra começar a me tratar. Do jeito que tá, tá mens insana em corpore insaníssimo… Alquebrado, a bem da verdade.

AI 5, a missão

setembro 3, 2009

Eu ando me perguntando com uma freqüência incrivelmente gigante se estou ficando louca. Ou eu estou ficando louca, ou muita gente está. Como os diletos parlamentares Marco Maciel e Eduardo Azeredo e seu delírio sobre proibir blogs e outros veículos da internet de emitir opiniões sobre políticos durante época de campanha. I mean, SERIOUSLY: senhores, larguem as drogas!

(Sem palavras, senhoras e senhores. Estou sem palavras para comentar tal projeto. Porque existe “burro”, existe “muito burro”, existe “louco de pedra” e aí, muitos graus depois, existe o projeto dessas duas criaturas.)

Sério, normal é o Zé Simão, que decretou o Brasil como “o país da piada pronta”. Acho que vou criar um teste no Facebook, uma enquete pra gente decidir o novo lema da bandeira. Sugestões:

  • “Ordem pra pobre, Progresso pra burguesia” (acho que é de Marcelo D2, tô com preguiça de googlar, mas é uma homenagem especial à secretaria de segurança púbica do Serra, que desce o sarrafo em Heliópolis e cria um plano especial para previnir assaltos a condomínios fechados. Como diria o jargão cômico: “fica vermelha, cara sem vergonha!”);
  • “Farinha pouca, meu pirão primeiro” (em homenagem a essa mania nacional de só enxergar o próprio umbigo, do Oiapoque ao Chuí, sobretudo da classe média pra cima);
  • “O país da piada pronta” (em homenagem a piadas prontas como o supracitado e a tantas outras, contadas diariamente em jornais e revistas);
  • “Precariedade & Gambiarras” (que, na minha opinião, melhor descreve o país, onde o mar de precariedade é “resolvido” com as mais inventivas, absurdas, nefastas, loucas gambiarras…)

Sugestões?

(Bom, a nova medida resolve um problema para este blog: não vamos falar de política em 2010. Vamos falar das flores, das dunas, do mar, da restinga — não, da restinga, não, porque ela não mais existirá — da alegria de ser chinês, digo, brasileiro e poder utilizar a anárquica rede para o Bem Maior. E aí, todos nos daremos as mãos e entoaremos um mantra e, quando sairmos do transe, a pátria mão não estará mais sendo subtraída em tenebrosas transações, porque isso é delírio da nossa cabeça e se nós não falarmos sobre o assunto, ele deixa de existir e coisa e tal. Por outro lado, já que eu não vou poder descer o cacete no pê-esse-dê-bê — do senador Eduardo Azeredo — a partir de junho de 2010, aproveito para fazê-lo com mais intensidade até lá, hahahaha!)

Dr. Strangelove, PhD

setembro 1, 2009



Campo Contracampo

Originally uploaded by gomezzz

Há um ano, ontem, eu depositava a famigerada na secretaria da PUC. Taí o photojojo (minha capsula do tempo no Flickr) pra não me deixar mentir. A defesa só viria mais tarde, em Novembro, e será lembrada também, claaaaro. Mas o depósito… ah, o depósito todo mundo sabe que é o mais difícil…
Portanto, celebremos: viva eu! 🙂

Kubrik não morreu

agosto 28, 2009



Kubrik não morreu

Originally uploaded by gomezzz

Quase não vi nada em Goiânia, mas já gostei.

A louca — uma enquete

agosto 27, 2009

Levanta a mãozinha, por favor, a mulher-leitora que já foi chamada de “louca” por um homem, qualquer que seja sua relação com ele? Alguém nunca foi chamada de louca? (São perguntas sinceras e não perguntas retóricas).

(É que, por uma série de motivos, pessoais e de observação, tenho a impressão de que “louca” é o nominho meigo favorito para taxar uma mulher que apresente qualquer comportamento aguerrido, em qualquer circunstância. Nunca ouvi, por exemplo, um cara *xingar* outro de “louco” numa discussão. Já ouvi dizer muita coisa, mas, por algum motivo, só mulheres são loucas… Ou não? Opiniões?)

Deserto do Real

agosto 22, 2009

(E eu que achava que a crise havia sacramentado o entendimento de que não, o mercando NÃO se auto-regula… Tsc, tsc, tsc, tolinha.)

Deve haver uma maneira de sobreviver, sem perder nem a sanidade, nem um pedaço do estômago, à vida em meio aos cabeça-de-powerpoint… Sugestões? (Só não vale “adotar a carreira publicitária” ou “emigrar”; a propósito, “fazer pós-doc fora” é uma que já tive, e que, obviamente, já estava planejada, mas que estou adiantando a toque de caixa. Se possível, com uma bolsa de fora, que é pra não ter o compromisso de voltar. )

Mas é sério: aceito sugestões de como sobreviver em meio aos cabeça-de-power point, sem nem perder a sanidade, nem ganhar um buraco no estômago (e, se possível, sem voltar a recorrer a drogas controladas). Como é que se vive em meio à mediocridade assumida, sem se contaminar por ela?

Bom, hoje, pra tentar deixar o assunto de lado, além de continuar jogando meu Wii recém-tirado da caixa, vou ver “Arraste-em pro Inferno”, entre um espirro e outro (porque peguei a gripe da fiRma! Não, não, é só alergia, reação clássica do corpo a uma mente arrasada).

Solidariedade

agosto 21, 2009

Agora, o é legal, legal, legal MESMO é você estar uma pilha de nervos e a pessoa que está ao seu lado demonstrar carinho, compreensão, solidariedade. Isso é muito legal.

Rosa e Benjamin*

agosto 20, 2009

Ouvindo “Você Você”, de Guinga e Chico Buarque, à voz de Mônica Salmaso, olhei pela janela do Rocinante e vi: numa daquelas belas casas modernas de Perdizes, um dos últimos focos de resistência à decadência urbanística, um casal de velhinhos que me levou às lágrimas. Ele, um senhorzinho de pelo menos uns 80 anos, possivelmente mais, pequenino, de bigode branco e boné, sai de sua garagem moderna, embaixo da casa e sobe ofegante, lentamente e com muito esforço a rampa que levava ao jardim simples, porém mantido com esmero. Na porta da casa — que, bem moderna, mesmo hoje, não tem muro ou cerca — o espera a esposa. Ao ver seu marido chegar ao nível do jardim, desce para ajudá-lo a subir os primeiros degraus. Ele havia andado até o lado mais baixinho da escada, uns poucos centímetros a menos para o esforço deliberado e atento de suas perninhas. Ela o segura pela mão. Um degrau. Outro degrau. E um beijo. Seguem lentamente até a porta. O sinal abriu e eu fui embora sem vê-los entrar, ouvindo Mônica Salmaso tornar ainda mais bela a canção: Que roupa você veste, que anéis? Por quem você se troca? Que bicho feroz são seus cabelos, que à noite você solta?…

Ainda existe beleza em São Paulo.

* Rosa e Benjamin é o título do curta-metragem de um casal de amigos muito queridos, embora nem sempre muito próximos. Estréia no Festival de Curtas de São Paulo amanhã, às 20h, no MIS. E o Festival de Curtas é onde eu pretendo me enfurnar este fim-de-semana, para me desintoxicar da mediocridade dos “cabeça-de-powerpoint”** (muito mais pelo encontro com amigos do que pelos filmes, diga-se, que deverão ser pescados cirurgicamente). Isso e uma cerveja com o Peter War, que amarelou de ir ontem ao Berlin, hahaha!

** Os “cabeça-de-powerpoint” é minha nova terminologia, inspirada na do Luís Nassif, os “cabeça-de-planilha”, em carinhosa homenagem aos burocratas da firma, que, de tão medíocres, não chegam sequer a ter planilhas na cabeça, ficam apenas com os powerpoints. Mas eu vou deixar esse assunto de lado e iniciar meu processo de desintoxicação.