Archive for the ‘vida minha vida’ Category

O quereres

outubro 1, 2012

Da arte de se decepcionar com várias pessoas ao mesmo tempo: pergunte-me como.

Sou obrigada, pela lógica, a concluir que o problema é comigo. E/ou com o cromossomo Y. Te dizer, viu? Devo pedir de mais das pessoas, é a única explicação. O pior é que eu realmente não acho que peça muito. Certamente, não sei como pedir menos. Tou ficando de saco muito, muito cheio… Essa capacidade das pessoas de virar as costas para as outras por tão tão pouco não cansa de me deixar pasma. E a vida é este adeusinho e o povo continua insistindo que é mais bacana viver de orgulho que de amor. Eu digo é valha. Eu digo é um amplo, geral e irrestrito valha, meu povo! O que é isso? É virar as costas por traições que não sairam do papel, por gestos que você acha que o outro fez – mas ele não fez. É sério? É sério mesmo que vale a pena tudo isso?

Sei não, sei não… Só sei que, em dias como hoje, eu queria ser um pug.

Dos erros

abril 14, 2012

Eu errei. Vi isso de forma cristalina. O erro foi meu. Todo meu. 100% meu. Não importa o que o outro fez. Também. Antes. Repetidas vezes. Pior. Não justifica. Meu erro não tem justificativa possível. Fugir do próprio erro é uma covardia a que eu não estou disposta – por algum motivo que não consigo explicar. Pelo menos neste exato momento, enxergo em mim uma enorme força pra mudar, mudar para o meu próprio bem e não para salvar seja lá o que pode ou não ser salvo, fruto desse erro.

Não sei de onde vem essa clareza, nem tampouco se ela é real. Mas o desafio, o diabo do desafio é justamente enxergar claramente. Enxergar claramente já é enfrentar o problema. Já é começar a mudar. Já um bom começo de um processo que, no entanto, só pode se dar um dia após o outro. Preciso não pensar além deste dia. Hoje, só por hoje, não vou pensar no desafio descomunal que se encontra a minha frente. Só por hoje, vou fazer o que está ao meu alcance, sem fugir. Eu não vou fugir. Eu não vou fugir. Só por hoje, eu não vou fugir.

Talvez esteja recorrendo num erro que cometi há uns 10 anos (e, em menor medida, algumas vezes depois). Mas sei que recorro apenas em parte, nem que somente por percebê-lo muito mais cedo. Não sei o que poderia ter feito – há 10 anos, quando percebi o erro que havia cometido, era tarde demais. Mas compreendi sua contradição intrínseca. O erro consiste em reclamar. Reclamar, reclamar, reclamar, como quem acha que, assim, implorando para o outro fazer alguma coisa, resolver o nosso problema, se está fazendo algo de bom para si, para o outro. É a história da vida da grande parte das mulheres que conheço: reclamar e ser chamada de louca, de histérica, de chata. Reclamar e esperar um gesto redentor e reclamar mais e mais e mais se ele não vem. E ele nunca vem. Mas… se não reclamar, faz o quê? Se a reclamação vem de uma frustração concreta, justa até, como agir? Eis a questão sem resposta.

Pois desta vez, novamente eu reclamei. Reclamei e reclamei e reclamei mais. Chorei, esperneei, confrontei, gritei. Alimentei a mágoa até o limite. Alimentei-a com dedicação. Com iguarias amargas, cozidas lentamente. Sempre esperando um gesto que a fizesse sumir. E – é óbvio – o gesto nunca veio. Não veio tanto porque o outro escolheu não fazê-lo, como também porque nunca poderia vir, porque não é um gesto do outro, de fato, é o gesto que eu quero que o outro faça. É um gesto meu no outro. E quanto mais se implora para que o outro faça, mais longe ele fica. É impossível. Ao mesmo tempo, novamente: a mágoa é real. Não alimentá-la é o que gostaria de aprender a fazer, mas, antes disso tudo, ela já é real, é concreta. Segue, portanto, a pergunta: o que fazer com essa mágoa?

Bom, pelo visto, não posso voltar a pensar no que fazer com a mágoa. Só por hoje, não vou pensar nisso. Só por hoje, não vou alimentá-la. Só por hoje, vou tentar tirá-la do meu corpo. Só por hoje, vou tentar fazer com que ela não seja a razão das minhas atitudes. Não sei se vou conseguir, porque ela está aqui ao meu lado. A frustração é muito grande, a vontade de ser surpreendida, de que o outro faça algo absolutamente maior é incontrolável. Como tentar não sentir o que se sente?

Sinto que preciso perdoar. A mim mesma, antes de mais nada. E ao outro. Não sei bem como fazer isso. Com o tempo, as mágoas arrefecem, mas isso não é perdoar, exatamente. É esquecer. Perdoar, me parece, demanda um processo ativo, positivo, de substituir uma paixão triste pela alegria do amor. Or something like that. Nada de cristão sobre isso, não me entendam errado. Não enxergo com clareza como fazer isso. Não enxergo mesmo. Sobretudo, não enxergo como perdoar, sem superar o outro. Sem fechar a ele os espaços dentro de mim. Isso também não é perdoar, obviamente.

A clareza do começo do post quer começar a se esvair. O pânico quer tornar a me dominar. Preciso me concentrar em ficar em paz. Não sei bem como…

Notas sobre uma viagem que terminou

julho 26, 2011

É impressionante o quanto Fortaleza tem, para mim, a capacidade de “ressetar” o estranhamento de toda e qualquer experiência. 22 dias viajando pela Europa, tentando ser uma viajante e não uma turista (deixando algo de mim, levando algo do lugar dentro de mim) e, com menos de 24h em Fortaleza, tudo parecia cada vez mais um sonho, velozmente se dissipando na memória. Isso é assustador – e a “culpa” é tanto de Fortaleza, como cidade de consensos, quanto do fato de Fortaleza ser, para mim, uma espécie de cânone da experiência de vida. Fortaleza é, portanto, o ponto ótimo da automatização do viver (e só isso já explica porque eu hesito tanto tanto tanto em voltar). Ou seja, em última instância, a culpa é minha.

Dessa maneira, escrever é tentar não esquecer. Volto para SP em poucos dias e me sinto aterrorizada ante às manchetes da Folha: arrastões em restaurantes, arrastões nas Marginais, mototrombadinhas roubando bolsas e celulares em Pinheiros em plena luz do dia. Tudo violento demais e, sobretudo, próximo demais – sabe-se que a classe média brasileira, na qual me incluo, tende a não se incomodar tanto assim quando a violência se restringe “aos outros”. Mea culpa, tentaremos melhorar… Mas, voltando ao estranhamento, demora um tempo pro brasileiro, andando pelas ruas de Paris, Barcelona, Porto ou Lisboa (para aqueles que andam pelas ruas), parar de olhar por sobre o ombro, pra ver se não há elemento suspeitos prestes a assaltá-los. Contudo, depois de alguns dias voltando pra casa (casa? casa!) de madrugada tranquilamente a pé, instala-se na memória do corpo um outro afeto, muito doloroso de ter que tapear na marra, numa terra onde já não se pode mais *estar* em paz, seja onde for, a que horas for. Difícil.

***

Ao mesmo tempo, é preciso saber ser um pouco estrangeira na própria terra, ou os sentidos se embotam e viver se torna uma repetição de certezas e consensos dia após dia. Se bem que eu me acho razoavelmente boa em apreciar todo e qualquer cafezinho de SP como se fosse inédito…

Em movimento

junho 24, 2011

Testando app do iPhone para postar – sim, eu fui abduzida pelo gadgetinho do tio Jobs. Obviamente, não vou ficar catando milho, postando neste tecladinho que, além de tudo, corréji as coisa errado. Mas vai dar para postar umas pílulas e assim, quem sabe, ressuscitar o blog. (Demorei coisa de 5min pra escrever isto aqui!!!)

Z

março 9, 2011

Voltei. Tenho a necessidade de me reinventar – yet again – e isso só se faz pelo verbo. Reinventar-se é auto-fabular um novo eu. Por ações também, mas, sobretudo, pelo verbo. Escrito, oral, tudoaomesmotempo. Uma nova dobra, que, afinal, vinha se impondo sozinha, quase imperceptível, vinha vincando a serenidade do cotidiano há meses, anos, talvez.

(Esta porra desta vida tem roteiristas muito loucos…)

Olho para dentro de mim, enquanto lentamente transformo em estranhas coisas que eram o próprio tecido da vida, por tanto tempo. Trabalhar ativamente para concretizar uma perda talvez seja uma das ações mais loucas que se pode viver – if you’re lucky, if you’re wise enough. E talvez as perdas sejam as únicas tragédias da vida. A morte de alguém – como a de um pai – é um acontecimento avassalador, que divide a vida em duas, em um antes e um depois e poucas coisas se comparam a isso. Por outro lado, o fim de uma relação tem dores muito particulares – é a perda de alguém que continua realmente existindo, só não mais pra você, só não mais como ‘sempre’ existiu. As duas arrancam pedaços gigantescos e embora não sejam comparáveis, de modo geral, embora seja sensato esperar que em alguns dias, semanas, meses, anos, todos se recuperem do fim de suas relações, esse fim também cinde a vida em duas, mesmo que de maneira menos avassaladora (não, não há dor no mundo que se compare à perda do meu pai).

Eu já vivi – e este blog testemunhou – alguns fins, algumas perdas, mas não canso de me surpreender com o fato de que cada uma delas é única, nova. Em parte, é o déja vu que nos choca, mas é tudo (re)conhecido e novo. Este adensamento dos dias, das horas, este pesar em se arrastar pelas ações mundanas, olhando para dentro, para si, a cada gesto mais banal. É exaustivo, mas talvez seja essa capacidade de auto-reflexão o que nos torna melhores — eu tenho pavor de gente que não reflete, nem sobre si, nem sobre os outros, nem sobre nada (se é que isso é possível – em algum nível, acho que até meu cachorro reflete sobre si e o mundo…)

Resta voltar a este blog e fazer dele o que ele pode ser: um registro de um dia após o outro.

Ahm? Ah, oi! Há quanto tempo?!

outubro 28, 2008

(Ou talvez seja apenas prozac withdrawal syndrome…)

Pois é: aulas, cólicas, calor e tal. Comecei a mandar a Mostra às favas na sexta. Marquei total retirando um ingresso para “Il Divo” em vez de “O silêncio de Lorna”. Cólica no mundo mais a descoberta de que “Il Divo” estava daunloudável e bye-bye Mostra. Noventa pilas meio que jogadas no lixo, mas, oh, well… I tried. Wim Wenders e aprendenders… Ano que vem, volto a freqüentar a Mostra à paisana… Aliás, já baixei tanto “Il Divo” como “Gamorra”, dois italianos comentados. O bom vai ser ter que praticar italiano: tem o filme, mas não tem a legenda. Nem em inglês! Oh, well, legenda é para os fracos!

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Casa e jardim
O manjericão moribundo e a palmeirinha, recém-transplantados para verdadeiros latifúndios!

Daí, sábado, a Cobra não teve peça. Fomos saracotear no dia de calor (e que calor!!!): passear na Benedito e comprar novos Ray Ban genéricos, comprar plantinhas e vasinhos, replantar o manjericão moribundo, a pimenteira (que, depois, descobrimos ser ASSASSINA!), a palmeirinha… Tô falando, minha vida é invertida: primeiro, doutorado, depois, aprender a cozinhar, plantar e, quem sabe, um belo dia… oh, well, we’ll speak of it some other time. Aliás, acerca das plantinhas, “descobrimos” um lugar ótimo na Heitor Penteado, um horto meigo e fofo, com atendimento nota dez, inclusive para inaptos como eu. E viva o seu Mario (que Mario?), que ainda nos deu uma florzinha vermeinha de presente, para conquistar de vez os clientes. Depois de minhas conversas com o Rô, vou voltar lá já já para comprar uma salsinha e continuar minha hortinha. Aliás, o Rô garantiu que meu manjericão vai sobreviver. É bom, mas, se não sobreviver, vou lá comprar o pezinho de manjericão italiano que vi frondoso e charmoso…

Casa e jardim
A pimenta assassina.

Cheguei em casa com a corda toda, fiz English Muffin Bread (não sei mais de onde peguei a receita do pão, mas os muffins tão aqui) e bolo de chocolate. O pão fez sucesso com a Cobra (nada como um pão quentinho saído do forno), mas já está na hora de tentar uma receita com mais cara de pão mesmo. O bolo saiu mais ou menos… Mas não vai sobrar! E eu não tirei fotos porque tivemos que sair correndo para um aniversário chatérrimo: pessoas adoráveis, pão de calabresa e sanduíche de pernil “melhor que o do Estadão”, cerveja Norteña gelaaaaaada aparecendo misteriosamente na nossa frente. E canja acústica de Johnny Monster + Alvaro Petersen, com direito a backing vocal das mulheres…

Casa e jardim
O bolo que deu meio-certo (e a calda que petrificou). Último pedaço!

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Domingo no Parque

Parque Villa Lobos. Ou é o gramadão do Central Park? 🙂

Domingo, espontânea e misteriosamente de pé antes das 9h, fui passear com o Minino Carequinha & família no Parque Villa Lobos. Rapaz, que programa legal!!! O parque tá moooito melhor do que eu lembrava (ou melhor: do que era na época em que eu morava pr’aquelas bandas). Muito mais árvores, mais brinquedos, mais ciclovia, gramadão. A bem dizer um Central Park (afora a parte da ciclovia com vista privilegiada para o “rio” Pinheiros e adjacências, mas, enfim… chamemos de “distanciamento Brechtiano…). Tenho que fazer isso mais vezes — mas tem que ir cedo. Saímos umas onze e tava o verdadeiro estouro da boiada: pais, filhos e bicicletas por todos os lados. E um calor de derreter catedrais. O póbi do Minino capotou 45 segundos depois de sentar em sua cadeirinha no ar-condicionado…

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Monsieur Percussion

Monsieur e Cobra discutindo música. Claro.

Ah, e teve a chegada do furacão Monsieur Edmund Carneirô, de Paris para o cafofo do Strangelove & Celeste. Alegria garantida ou seu dinheiro de volta. Chegou na quinta insana e eu saí da foto do post abaixo, depois de 12 horas na fiRma, direto para o Geni, para show dele, com canja da Cobra e outros convidados, com a ilustre Maria de Medeiros na platéia. Foi FINO, hein? Cobrinha tava deitando e rolando, acompanhado pelo creme do creme, incluindo Carneiro na percussion e Bocatto no trombone.

(A propósito: Monsieur faz show acompanhando Maria de Medeiros — “Whose chopper is this? – It’s Zed’s. – Who’s Zed? – Zed’s dead, baby” — dia 30 no Sesc Pinheiros, 30 pilas a inteira, encerramento da Mostra. We be going there!)

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E tem a obra – eu falei da obra? Não a grande obra do mestre Picasso e menos ainda a… Bom, deixa pra lá. A obra é a obra difunta ao lado de nosso lar, que renasceu das cinzas e agora somos acordados à base de britadeiras bem cedinho de manhã. E eu penso assim: talvez não eu, mas a Cobra ouviu funk bem alto, enquanto jogava na cruz. Certeza. A pergunta é: se eu vim parar ao lado dele, é porque ajudei a jogar pedra na cruz???

Monsieur Percussion

The Strangelove & Celeste no bar da vizinhança

Questões, questões… Agora vou ali: fazer compritchas (incluindo bolo-de-rolo pra o Monsieur Carneiro, que ele não dispensa), comprar velas bonitas para arrumar a casa e receber a futura hóspede (Lady Di vem aí, lalalalalala), quem sabe consumir mais um pouquinho da minha credencial da Mostra vendo “Vicky Cristina Barcelona”, em homenagem à Irmã e baixar o Surfista Prateado na oficina, rezando para que seja apenas um mal passageiro esse algo que se sacoleja embaixo dele…

Mas, como diria o governador da Califórnia: I’ll be back.

Kanji?

outubro 5, 2008

Adorei a matéria da Bolha de hoje, sobre as pobres almas que vão tatuar kanjis e descobrem depois que, em vez de “paz”, “amor” ou qualquer obviedade dessas, tatuaram “ladrão” ou “supermercado”. SENSACIONAL!!! Melhor ainda é o blog que caça kanjis ou outras grafias chinesas mal-utilizadas na cultura ocidental. Recorde absoluto é a tradução para a tatuagem da namorada de Cristiano Ronaldo, bem acima do… ahm… bumbum: “ass guard”!!! HAHAHAHAHA!!! (Detalhe: eu já posso ter cometido uma atrocidade dessas, ao utilizar uns kanjis da internet numa aula sobre Eisenstein. Eu esqueço que tem alunos sino-descendentes que de fato sabem o que aquilo significa… Muito mais cuidado, a partir de agora!…)

Pois eu acho é bem feito! Quem manda querer marcar um negócio perene no corpo seguindo apenas uma modinha cafona, hein? Preço da inguinorânça, hohoho (mas, que fique claro: nada contra tatuagens. Eu acho lindas as das minhas amigas, só não tenho mais sequer a efêmera vontade de ter uma em mim. Not my beach, eu diria. Kanji, especialmente, nem pensar, pois virou quase rótulo de gato-véi, o que é uma pena, pois são caracteres bonitos. Mas, como dizia um ex-namorado sobre seu anel com kanjis: “O que isto quer dizer? Macacos me mordam!” Hehehe…)

Fortaleza com certeza

junho 23, 2008

Fortaleza sempre dá um nó na minha cabeça. De um lado, um estilo de vida que não podia ser mais diferente do meu. De outro, encontros maravilhosos. A idéia de voltar a morar aqui me confunde como nenhuma outra. Calma, calma: é apenas uma hipótese, às vezes tornada mais palpável; na maior parte das vezes, confortavelmente distante.

Fortaleza é uma província, isto é sabido. Mais do que Recife e Salvador, nas minhas impressões, mas essa também é uma medida impossível de dar, uma vez que é apenas a “sociedade fortalezense” que eu conheço e que me deixa de cabelo em pé. Eu me aguneio da hora que piso o aeroporto até a hora de partir (e aí, claro, fico com saudade, mas o serumao é mesmo esse poço de contradições…)

Das coisas que me aguneiam pro-fun-da-men-te: a sensação de 99% das mulheres com quem esbarro (da classe média-alta, bem entendido) estarem no mesmíssimo figurino, a saber: seja lá qual for o grito da moda chique do momento, cabelo na chapinha com franja, saltões, brincões e sempre em almoços com outras mulheres e nenhum homem. Suas atitudes para a vida refletem a padronização de suas roupas: conservadoras e previsíveis. Os maridos, do alto de seus 30 anos, estão (quase) todos barrigudos e caretas. A única coisa que grande parte desse povo parece fazer é: ir a casamentos (o que, em si, me dá um nó cego na cabeça), batizados, almoços e aniversários.

Por outro lado, venho dar o curso e me deparo com uma turma que colocaria no bolso qualquer outra para quem tenha dado aula na fiRma, em matéria de inteligência, repertório, bom-humor, generosidade, dedicação, diversidade e originalidade de idéias. E ainda é um povo bonito, corado, animado, festivo e que se veste bem, com simplicidade, mas — importante — cada um à sua maneira.

É óbvio que não é o ar da cidade que faz com que boa parte de sua elite seja de uma caretice entediante. Mas o que diabos é, então?

Vejam, se tem uma coisa que eu tenho tentado não fazer nestes últimos dez anos é julgar confortavelmente todo mundo que é diferente de mim (obviamente, essa, sim, é uma missão impossível — mas a tentativa constante é o que importa). Mas, duas coisas: 1) muito frequentemente eu ainda sou julgada pela minha vida (“ah, tu é tão doida…” “ei, tu não vai casar, não?” ou “ah, finalmente tu casou!” ou ainda “ei, tu não vai ter filho?”) e 2) eu simplesmente não consigo entender como é que eu, tendo sido criada sob a mesma sociedade, posso ter uma vida tão simples e aparentemente tão diferente da “desse povo”.

Bom, mas a irmã quer usar o computador, já, já eu volto para continuar a história…

Voltando: enfim, me dá um nó na cabeça. Me incomoda muitíssimo e eu não entendo direito por quê. Qualquer caretice me incomoda, porque, no fundo, ela é tudo, menos tolerante. Me incomodam os casamentos como fim supremo de qualquer um, porque, no fundo, fui julgada — e ainda sou — por não dar bola para isso. No fundo, andei pensando, que a caretice e o machismo das mulheres cearenses talvez seja igual ou pior do que o dos homens. E é isso o que me incomoda.

Por essas e outras tenho dificuldade de me enxergar morando aqui novamente. Não é Fortaleza, per se, que, aliás, tem lugares, coisas e pessoas interessantíssimas. Sou eu. Eu que preciso de doses constantes de outras referências para não endoidar. Sou eu que tenho medo de me diluir no meio de tanta informação pasteurizada, em todos os sentidos. Sou eu que tenho medo de me deprimir para sempre entre chapinhas, franjas, brincões e nenhuma livraria, nenhuma mostra de cinema, quase-nenhuma diversidade que me coloque num novo lugar em relação à mim mesma.

Mais do que tudo, acho que o que me incomoda é a perene falta de tensão. Todo mundo sempre igual, todo mundo sempre indo pros mesmos lugares, usando sempre as mesmas roupas, pensando sempre a mesma coisa, vivendo confortavelmente com os mesmos amigos da infância, sem ter que se reinventar em nenhum momento da vida. Vidas previsíveis, mínimas variações sobre o mesmo tema: casar, reproduzir, sorrir para fotos em aniversários.

Não consigo. Não nego que seja de uma paz estarrecedora vir aqui e poder me dar o luxo de orbitar única e quase exclusivamente em torno da minha própria família, fazendo quase nada. Mas é justamente porque é passageiro que tem sido bom. Ou ao menos é o que me parece. Tenho medo que Fortaleza, quando em doses constantes, seja uma grade Kriptonita para minha criatividade, poder crítico, vontade de viver.

Ouvinte Repórter

maio 26, 2008

Depois de mais de dois anos pegando o rumo da Marginal, sentido Interlagos, eu finalmente consegui o que sempre quis: entrar ao vivo na Rádio Eldorado como Ouvinte Repórter!!! 😀

“- Bom dia, Renata.

– Bom dia, Caio. Estou na Marginal Pinheiros, sentido Interlagos, e um ônibus quebrado mais ou menos ali na altura do Extra está ocasionando a lentidão do trânsito até mais ou menos a Ponte Estaiada. Só que depois o trânsito começa a fluir magicamente, como eu nunca vi (risos)!”

– Ah, então vamos falar baixinho, para o Monstro do Trânsito não ouvir… Bom dia e obrigada, Renata”.

Aí eu não sei mais o que falei. Eu só ria — nervooooosa! 😛

A pessoa sabe que está se metarmofoseando num paulistano quando virar Ouvinte Reporter é o highlight de seu dia!… 😛

 

Earthquake!

abril 23, 2008

A Cobra sentiu:  viu a cortina balançando de lado e tudo mais. Eu não senti píula nenhuma (será que eu sou sismicamente insensível???)

Ou ainda, pirâmide normal:

Chego na sala e a Cobra está com uma cara assustada:

– Acabei de sentir uma coisa bizarra. Um tremor e barulho, como se o sofá estivesse sendo arrastado. Olhei para as cortinas e elas estavam se mexendo assim, ó (gesto da cortina indo, horizontalmente, de um lado pro outro).

– Será que foi um terremoto? Eu não senti nada (cara desapontada).

Saí correndo e fui checar na web. Uns 20 minutos depois, sai o link na Folha. Pô… eu sempre quis sentir um terremotinho (bem pequenininho)… 😦

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Minha gente, afora à parte (como diria meu primo) não ter sentido o terremoto (juro que acho que foi na hora em que dei descarga no banheiro!), eu estou rolando no chão de rir as descrições do povo na Bolha. Como diria o grande mestre e pueta russo, Pesqueniév Pesquenóvski: “Ô povo sem tragédia!!!” Quê qué iussom??? Na Bolha tem até depoimento de surfista em Ubatuba dizendo que achava que era visage, além de uma matéria coordenada inteira sobre o não-perigo de tsunami. Oxe, se não tem perigo de tsunami (que já haveria acontecido a uma hora destas), num bastava uma frase, não? “Não há perigo de tsunami”. Ponto.

Nem, este país tá muito é sem nutiça!!!